junho 17, 2026
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17/06/2026

Acordo entre prefeitura e helicóptero privado gera questionamentos após acidente que matou seis

Na manhã do último domingo, um acidente envolvendo duas aeronaves sobre o Recreio dos Bandeirantes resultou na morte de seis pessoas. Entre as vítimas estão dois pilotos, um cantor norte-americano, um influenciador argentino e um cineasta, além de outros profissionais.

O incidente ocorreu pouco antes das 9h, quando os helicópteros colidiram enquanto sobrevoavam a região. Logo após o impacto, as aeronaves despencaram sobre um terreno utilizado para armazenamento de veículos por uma montadora, resultando em um incêndio que atingiu dezenas de carros elétricos. As causas do acidente estão sendo apuradas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).

A aeronave envolvida na colisão com número de matrícula PR-DJJ pertence ao empresário Maurício da Cunha e Silva Espíndola Dias. Essa aeronave, um modelo Eurocopter AS350 B2 (atualmente Airbus H125), foi registrada na Anac em 2021 na categoria de transporte privado de pessoas. Na ocasião do acidente, era pilotada por Charles Marsillac.

Documentos revelados indicam que o proprietário firmou um acordo com a prefeitura do Rio em abril de 2025. O contrato, válido por 24 meses, previa a cessão periódica de horas de voo em troca do uso do heliponto da Lagoa Rodrigo de Freitas. De acordo com o documento, Maurício se comprometeria a oferecer uma hora de voo a cada 24 pousos no heliponto ou após 60 dias, o que ocorresse primeiro. Além disso, o termo estipulava obrigações operacionais, incluindo a disponibilização de pessoal para apoio ao funcionamento do heliponto.

Esse tipo de acordo chamou atenção por envolver uma aeronave classificada na categoria privada de transporte de pessoas, que, segundo regulamentos da Anac, não permite a realização de transporte comercial ou o recebimento de compensação financeira direta por voos realizados. No entanto, especialistas apontam que, embora não haja pagamento explícito, a troca de horas de voo pelo uso de infraestrutura pública de alto valor pode configurar vantagem econômica para o operador.

A Agencia Nacional de Aviação Civil informou que aeronaves em categoria privada não podem ser usadas para o transporte remunerado e que está avaliando a legalidade do modelo de pactos semelhante ao que foi firmado com o proprietário do helicóptero. A prefeitura de Rio de Janeiro possui outros acordos similares de uso de helipontos, porém, este em análise ainda não tinha autorização formal da reguladora.

Até o momento, as investigações continuam para determinar as causas da colisão. A polícia aeronáutica também apura se houve alguma irregularidade na operação das aeronaves envolvidas.


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