O Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, foi recentemente adquirido por uma concessionária espanhola em uma disputa marcada por alta concorrência e valores expressivos. O leilão, realizado na Bolsa de Valores de São Paulo, resultou na vitória da Aena Internacional, que pagou R$ 2,9 bilhões pelo terminal, valor que representa mais que o triplo da mínima estipulada de R$ 932 milhões e supera a expectativa inicial do governo, estimada em cerca de R$ 1,5 bilhão.
A disputa contou com três participantes globais: a própria Aena, a Zurich Airport da Suíça e o consórcio Rio de Janeiro Aeroporto, formado pela Vinci Compass e Changi, operadores atuais do Galeão. Nas etapas iniciais, propostas idênticas de R$ 1,5 bilhão foram apresentadas pela Aena e Zurich, enquanto o consórcio Vinci-Changi ofertou pouco mais de R$ 900 milhões. A negociação se intensificou na fase de lances ao vivo, passando por 26 rodadas, até culminar na oferta final de R$ 2,9 bilhões, paga de forma integral.
Segundo especialistas, o elevado valor de outorga reflete as alterações feitas na concessão. Destaca-se a substituição da cobrança fixa por uma contribuição variável de 20% da receita bruta e a retirada de obrigações onerosas, como a construção de uma pista adicional. Além disso, com a saída do Infraero, que detém atualmente 49% do ativo, a nova operadora assumirá inteiramente a administração do aeroporto até 2039. Tais mudanças foram vistas como necessárias para tornar o contrato mais alinhado às condições de mercado.
Apesar do sucesso na aquisição, o principal desafio da nova concessionária será requalificar o Galeão como um centro internacional de conexão eficiente, concorrendo com aeroportos de maior fluxo, como São Paulo e Rio de Janeiro. A estratégia incluirá a integração com outros aeroportos do Brasil, especialmente uma gestão balanceada entre o Galeão e o Aeroporto de Congonhas, com o objetivo de ampliar o fluxo de passageiros internacionais.
Após anos de crise, marcada por uma forte redução no movimento de passageiros — que caiu para cerca de 6 milhões em 2022 — o Galeão apresenta sinais de recuperação. Em 2025, atingiu um recorde de 17,9 milhões de usuários, impulsionado pelo aumento do turismo internacional, que contribuiu para a concentração de 43% desse segmento no país. Além disso, a administração atual, envolvendo a Changi, já solicitou a devolução da concessão devido às dificuldades enfrentadas anteriormente.
Com a conclusão deste leilão, a Aena expande sua atuação no Brasil, tornando-se responsável por aproximadamente 20% da malha aérea do país. A estratégia da companhia inclui melhorias na operação, na experiência do passageiro e na gestão de custos, consolidando o Brasil como mercado prioritário para sua expansão internacional, particularmente pelo potencial de crescimento no tráfego internacional.
Por outro lado, especialistas ressaltam que fatores externos, como segurança, políticas de mobilidade e o próprio movimento turístico, terão impacto importante na sustentação do crescimento do aeroporto. O leilão do Galeão reforça a tendência de reestruturação do setor aeroportuário brasileiro, podendo servir como referência para futuras concessões em outras regiões, incluindo Brasília e Viracopos.
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