maio 2, 2026
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02/05/2026

Alta do petróleo impacta receitas do Rio de Janeiro e de Maricá em cenário de possíveis novos picos

O aumento das cotações internacionais do petróleo, impulsionado pelo conflito envolvendo o Irã e pelo risco no Estreito de Ormuz, tem colocado o Rio de Janeiro em posição de destaque na arrecadação de royalties e participações especiais. Na segunda-feira, o preço do Brent voltou a superar US$ 110 por barril, após ter atingido níveis próximos de US$ 120 em março passado. Essa valorização resulta em expectativas de crescimento na arrecadação estadual e municipal de receitas oriundas da exploração de petróleo em 2026.

Segundo estimativas do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), se o preço médio do barril de Brent ficar próximo de US$ 100 em 2026, a soma de royalties e participações especiais no Brasil pode atingir R$ 160,72 bilhões, o que representa um aumento de aproximadamente 60% em relação a 2025. Para o estado do Rio de Janeiro, a projeção indica um valor de cerca de R$ 39,31 bilhões, refletindo um avanço de mais de R$ 13 bilhões em relação ao exercício anterior. Essas projeções não representam valores definitivos, mas uma referência baseada na atual faixa de preços do petróleo.

No município de Maricá, a dependência das receitas petrolíferas é ainda mais evidente. A cidade foi a maior beneficiária de royalties no país em 2025, recebendo R$ 4,236 bilhões, o que equivale a cerca de 63% de suas receitas municipais. Caso o preço do petróleo se mantenha próximo de US$ 100 ao longo do ano, a previsão é que as receitas de Maricá ultrapassem R$ 4 bilhões, possivelmente chegando perto de R$ 4,5 bilhões. Apesar dos números expressivos, a dependência de recursos provenientes do petróleo continua alta, tornando qualquer variação nos preços uma preocupação imediata para o orçamento local.

Por outro lado, há um aspecto considerável na divisão dessas receitas. Em dezembro de 2025, a prefeitura de Maricá assinou um acordo com o município do Rio de Janeiro, que prevê a transferência de parte dos royalties para São Gonçalo, Magé e Guapimirim, com repasses crescentes até 2030. Essa iniciativa foi encaminhada à Justiça para homologação e busca encerrar disputas regionais relativas à distribuição das receitas petrolíferas. Assim, embora a cidade possa arrecadar mais em caso de alta do petróleo, parte desses recursos será redistribuída, o que reduz sua margem de autonomia.

Apesar dessa divisão, o cenário permanece favorável para Maricá, que mantém uma base de receitas petroleiras de valor considerável e pode destinar recursos adicionais ao financiamento de políticas públicas, como programas sociais e de transporte. Ainda assim, o aumento nos valores a serem arrecadados tende a aliviar o caixa da prefeitura, embora não proporcione a mesma liberdade de antes para investimentos.

No âmbito estadual, a valorização do petróleo reforça a vulnerabilidade da economia do Rio de Janeiro, que continua altamente exposta às oscilações do mercado internacional de energia. Cada novo conflito no Oriente Médio tende a impactar rapidamente os cofres públicos fluminenses, agravando a já delicada situação fiscal do estado. Assim, o preço do barril atua como uma variável decisiva na arrecadação e nas finanças estaduais, influenciando diretamente o equilíbrio fiscal em cenários de alta ou baixa do petróleo.


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