O crescimento no uso de plataformas de carona remunerada, especialmente devido ao aumento dos preços dos combustíveis e das passagens de ônibus intermunicipais, tem ampliado a procura pela BlaBlaCar no Rio de Janeiro. Hoje, o estado conta com cerca de 520 mil usuários ativos na plataforma, tornando-se o quarto maior mercado da empresa no Brasil, atrás de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
A demanda por caronas tem registrado elevação entre viajantes a trabalho e lazer, com itinerações frequentes para cidades como Macaé, Cabo Frio, Angra dos Reis e Campos. Segundo a presidente da BlaBlaCar no país, Tatiana Mattos, o aumento nos custos de deslocamento impulsiona essa adesão, reforçando que o serviço funciona como uma modalidade de compartilhamento de despesas, sem fins lucrativos. Ela destaca que o objetivo principal é possibilitar uma mobilidade mais acessível, oferecendo uma alternativa econômica para quem realiza trajetos semelhantes.
O fator preço representa o maior atrativo para muitos usuários. Consoante dados do site, uma viagem de carro compartilhado do Rio para Macaé, por exemplo, custa cerca de R$ 62, enquanto a passagem de ônibus convencional para o mesmo trajeto é oferecida a partir de R$ 72. De maneira semelhante, trajetos para Cabo Frio e Angra dos Reis aparecem na plataforma por valores inferiores aos do transporte rodoviário tradicional, tornando a opção mais econômica.
No ponto de encontro próximo à Rodoviária do Rio, motoristas e passageiros realizam embarques normalmente. O operador de rádio David Muller, de Campos, destacou que pagou R$ 60 por uma carona, valor inferior ao que pagaria em uma passagem de ônibus, que considera ser o dobro do preço.
Embora a utilização da plataforma seja orientada ao compartilhamento de custos, há relatos de motoristas que utilizam o serviço como uma fonte de renda. Um exemplo é Alexandre Gonçalves, que saiu de Quissamã e atualmente vive exclusivamente das viagens realizadas via BlaBlaCar, realizando duas rotas por dia entre Macaé e o Rio de Janeiro.
Para participar, os usuários precisam fazer um cadastro na aplicação, incluindo informações pessoais e fotos, o que ajuda a aumentar a confiança na plataforma. Os motoristas disponibilizam detalhes sobre o trajeto, horários, valores e características do veículo, enquanto os passageiros podem consultar diferentes opções, incluindo avaliações do condutor. Ainda assim, aspectos relacionados à segurança permanecem presentes na preocupação de parte dos usuários.
A plataforma afirma que possui mecanismos de certificação de perfis, com verificações em múltiplas etapas, além de um atendimento ao cliente ativo. Também há uma funcionalidade exclusiva para mulheres, garantindo viagens apenas entre elas, o que visa ampliar a sensação de segurança.
No entanto, a regulamentação permanece como ponto de controvérsia. O Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro considera a BlaBlaCar como serviço ilegal, alegando que a plataforma se reaproxima de um transporte coletivo ao estabelecer roteiros, horários e pontos de embarque previamente. A entidade entende que o sistema se configura como uma comercialização de assentos, o que contraria a legislação vigente.
A discussão sobre a legalidade da plataforma permanece em andamento, com disputas judiciais ocorrendo em diferentes estados, enquanto representantes do setor de transporte de massa defendem que a evolução da mobilidade urbana deve privilegiar o fortalecimento do transporte público tradicional.
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