Na quinta-feira (12), um cágado amarelo e duas cobras-cegas foram devolvidos ao seu habitat natural na Área de Proteção Ambiental de Maricá, uma área gerida pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Os animais foram reintroduzidos em diferentes pontos do ecossistema, resultado de uma parceria com a Unidade de Soltura de Animais Silvestres de São Gonçalo (ASAS).
O cágado, um exemplar adulto e macho, foi colocado em uma área alagada adequada ao seu comportamento. Já as cobras-cegas, uma jovem e uma mais adulta, foram soltas em uma zona de dunas próximas. Essas espécies, encontradas com frequência em corpos d’água rasos, como brejos, lagoas e restingas, têm diferentes níveis de adaptação ao ambiente terrestre. O cágado apresenta uma carapaça amarelada, achatada na região, que o caracteriza como um animal tanto aquático quanto terrestre, sendo comum na Mata Atlântica e no Cerrado, embora sua ocorrência venha sendo afetada pela expansão urbana.
A cobra-cega, também conhecida como cobra-de-duas-cabeças, possui uma cauda que lembra a cabeça, o que deu origem ao nome popular. Apesar de seu visual distinto, ela pertence à subordem Amphisbaenia, sendo uma espécie cavadora que se alimenta de pequenos animais, usando túneis que escava. Diferentemente de serpentes, sua classificação taxonômica é específica dentro do grupo dos répteis limbless.
A área de proteção de Maricá estende-se por aproximadamente oito quilômetros e engloba o sistema lagunar local, parte da Restinga de Maricá, o Morro do Mololô, a Ponta do Fundão e a Ilha Cardosa. Incorporando um ambiente costeiro de bioma Mata Atlântica, a restinga combina dunas, cordões arenosos e vegetação que varia conforme o interior, desempenhando função ecológica fundamental. Sua vegetação, embora não seja uma fonte principal de nutrientes, sustenta uma biodiversidade significativa e protege a linha costeira, além de colaborar na regulação do clima local e na mitigação dos efeitos do aumento do nível do mar causado pelas mudanças climáticas.
O ecossistema é também uma opção para atividades de turismo sustentável e de aventura, além de representar um importante espaço para estudos ambientais. As ações de preservação ajudam a manter o equilíbrio do ambiente e garantem a continuidade dos Serviços Ecossistêmicos fornecidos pela região.
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