A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou nesta sexta-feira a retomada das operações na fábrica da Ypê, localizada em Amparo, São Paulo. A decisão foi tomada após a constatação de que a empresa conseguiu sanar várias irregularidades sanitárias identificadas em inspeções anteriores, permitindo o início imediato das atividades de produção.
A liberação ocorreu após uma vistoria conjunta envolvendo a própria Anvisa, o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo, o Grupo de Vigilância Sanitária de Campinas e a Vigilância Sanitária de Amparo. Como condição para reinício das atividades, a empresa apresentou um plano de correções que contempla 76 exigências relacionadas a melhorias nos processos de fabricação, rastreabilidade de produtos, controle de qualidade e monitoramento de riscos sanitários. Segundo a agência, com as adequações implementadas, a fábrica da Ypê passa a atender aos requisitos de segurança necessários para operar e oferecer produtos sem riscos à saúde pública.
Produtos fabricados a partir de 1º de abril de 2026 poderão ser comercializados normalmente novamente. Entre esses itens estão líquidos para lavagem de roupas, detergentes para louça e desinfetantes produzidos após essa data. Entretanto, alguns produtos continuam proibidos de serem vendidos. A restrição permanece para todos os lotes de detergentes, sabões líquidos para roupas e desinfetantes com terminação em “1”, produzidos até 31 de março, que devem permanecer armazenados de forma segura, aguardando a apresentação de laudos laboratoriais autorizados pela Anvisa para sua liberação futura.
A crise enfrentada pela fábrica começou em 7 de maio, quando a Anvisa suspendeu mais de 100 lotes de produtos da marca por causas relacionadas a falhas graves nos processos de fabricação. Na ocasião, foi constatado o risco de contaminação microbiológica, incluindo a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa, que foi identificada anteriormente em produtos da mesma linha, em novembro de 2025. Como uma bactéria comum no ambiente, ela geralmente não representa perigo aos indivíduos saudáveis, contudo, pode causar infecções graves em pessoas imunocomprometidas, como idosos ou pacientes em tratamento médico.
Apesar da autorização de retomada, a Anvisa continuará monitorando as atividades da empresa para assegurar o cumprimento das medidas corretivas adotadas. A agência reforçou que os produtos ainda suspensos só poderão retornar ao mercado após a apresentação de novos laudos laboratoriais autorizados.
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