outubro 11, 2026
outubro 11, 2026
11/10/2026

Aumento de abstenções nas eleições brasileiras é impulsionado por descrença, polarização e envelhecimento populacional

No momento crucial para o cenário político do Brasil, cidadãos de diversas regiões participaram das eleições, exercendo seu direito ao voto. No entanto, o país registrou um número expressivo de abstenções, que também atingiu o estado do Rio de Janeiro, tornando-se o segundo com maior índice de ausências nas urnas, atrás apenas de Mato Grosso do Sul. Foram quase 3 milhões de eleitores fluminenses que optaram por não comparecer facultativamente às seções eleitorais, o que representa mais de 23% do eleitorado habilitado em território carioca. A questão que emerge é entender as razões por trás dessa falta de engajamento.

Segundo dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as abstenções no primeiro turno de 2026 aumentaram em comparação ao mesmo período de 2022. Esse crescimento levanta preocupações, especialmente ao se analisar fatores que possam explicar essa tendência.

Para compreender esse fenômeno, o professor Brand Arenari, do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense (UFF), aponta alguns aspectos que podem contribuir para os índices crescentes de ausências às urnas. Ele destaca que há material suficiente para formulação de hipóteses que, embora não totalmente confirmadas, auxiliam na compreensão do cenário atual.

Arenari ressalta que, entre os fatores, está a relação com o nível de escolaridade e a faixa etária. Pessoas com menor escolaridade têm demonstrado maior propensão a não votar, tendência que se intensificou nas últimas eleições. Além disso, os idosos, que não são obrigados a votar, refletem uma maior ausência nas urnas, influenciados por motivos como condições de saúde, cansaço ou fatores climáticos. O envelhecimento da população, caracterizado por uma maior longevidade, é considerado uma variável que pode contribuir para o aumento do percentual de abstenções.

Outro elemento apontado pelo especialista é o crescimento da desconfiança na política e a polarização intensa dos debates eleitorais. A falta de esperança ou o ceticismo em relação a candidatos considerados favoritos, como o atual presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), estaria levando parte do eleitorado a não exercer sua cidadania. Expressões de descontentamento, como “nada vai mudar” ou “meu voto não vai fazer diferença”, representam uma postura de apatia que influencia a decisão de ficar em casa no dia da votação.

No caso específico do Rio de Janeiro, Arenari observa que esses fatores estão mais evidentes, contribuindo para o aumento das abstenções no estado, assim como na região Sudeste. A combinação de uma população envelhecida, um sentimento de descrença nos candidatos e uma maior incidência de polarização política são considerados elementos que explicam a magnitude do fenômeno nesse território.

O professor reforça que os dados atuais não indicam uma tendência de recuo na desistência de votar. Pelo contrário, as projeções apontam para uma continuidade no crescimento dessas taxas, incluindo o segundo turno eleitoral, previsto para o próximo dia 25, no qual os eleitores irão decidir entre Lula e Bolsonaro.

Para mitigar a desmotivação dos eleitores e promover maior participação, Arenari defende uma intervenção governamental. Segundo ele, campanhas de conscientização e estímulos ao voto são imprescindíveis, ajudando a fortalecer a presença democrática. Assim como na saúde pública, onde campanhas de vacinação incentivam a população a se imunizar, o mesmo princípio deve ser aplicado ao processo eleitoral, buscando motivar o eleitor a cumprir seu dever cívico.


Acompanhe o Rio Press para mais notícias em tempo real.

Vinkmag ad