agosto 23, 2026
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23/08/2026

Aumento de doenças crônicas no Brasil destaca importância da atenção primária na prevenção e acompanhamento.

Nos últimos anos, o Brasil registrou aumento na prevalência de doenças crônicas, principalmente diabetes e hipertensão, colocando a atenção à saúde preventiva em foco. Dados recentes indicam que, de 2006 a 2024, a porcentagem de adultos que relataram ter diabetes quase dobrou, passando de 5,5% para 12,9%, representando um crescimento de 135% no período. Ainda nesta linha, a hipertensão também apresentou avanço, com diagnósticos relatados por 29,7% da população adulta em 2024, ante 22,6% em 2006.

Além desses, os indicadores de excesso de peso e obesidade cresceram substancialmente. O excesso de peso aumentou de 42,6% para 62,6%, enquanto os casos de obesidade saltaram de 11,8% para 25,7%. Apesar de parte desse aumento estar relacionada às mudanças na estrutura populacional, sobretudo envelhecimento, e a uma maior capacidade de diagnóstico, os números reforçam a necessidade de ações de prevenção e detecção precoce.

Especialistas reforçam que muitas dessas doenças podem evoluir silenciosamente, sem sintomas perceptíveis, o que torna a atenção primária uma estratégia fundamental. Essa etapa do sistema de saúde, considerada a porta de entrada do SUS, deve atuar na avaliação de riscos, orientação de mudanças de hábitos e monitoramento contínuo, independentemente da presença de sintomas.

A hipertensão, por exemplo, é marcada pelo progresso silencioso e está associada ao aumento de riscos de eventos cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais, infartos e problemas renais, caso não seja controlada adequadamente. Quanto ao diabetes, sinais como sede excessiva, vontade frequente de urinar, fadiga e perda de peso podem surgir, porém nem sempre aparecem nas fases iniciais. Assim, a realização de avaliações regulares é crucial, considerando fatores como idade, histórico familiar, hábitos de vida e condições de saúde.

A avaliação na atenção primária deve ser personalizada, de modo a refletir as particularidades de cada indivíduo. O acompanhamento envolve consultas, vacinação, aferição de pressão arterial, exames de glicemia, orientações para hábitos saudáveis, cuidados com a saúde mental e monitoramento de pessoas com doenças crônicas já diagnosticadas. Essa rotina também possibilita verificar a eficácia do tratamento, identificar dificuldades no uso de medicamentos e decidir sobre encaminhamentos a especialistas.

Por outro lado, a realização excessiva de exames sem critérios específicos pode gerar resultados irrelevantes ou levar a investigações desnecessárias, além de não garantir a eliminação de riscos. A decisão sobre quais testes realizar deve ser fundamentada na avaliação clínica individual, considerando riscos e características pessoais, sempre priorizando a orientação médica.

A política de rastreamento e exames preventivos também exige uma abordagem criteriosa, levando em conta fatores como idade e histórico familiar, para evitar procedimentos desnecessários. No SUS, o acompanhamento contínuo na atenção primária é considerado essencial para organizar o acesso a outros serviços de saúde, promover um vínculo duradouro com o paciente e compreender sua evolução ao longo do tempo.

Em números, a estrutura de atenção primária no Brasil tem se expandido nos últimos anos, com mais equipes de Saúde da Família e agentes comunitários de saúde atuando nas unidades de atendimento. A utilização de prontuários eletrônicos também vem crescendo, facilitando o gerenciamento das informações de saúde da população. Com esse incremento, espera-se que o fortalecimento do vínculo com os pacientes contribua para uma atuação preventiva mais eficaz, potencializando ações que minimizem o impacto dessas doenças na saúde pública.


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