março 17, 2026
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17/03/2026

Aumento de golpes envolvendo falsos defensores públicos no Rio de Janeiro

No estado do Rio de Janeiro, o número de pessoas prejudicadas por falsos defensores públicos tem crescido significativamente. Os fraudadores adotam estratégias persuasivas, muitas vezes finalizando o golpe com perdas financeiras dos envolvidos. Nos últimos nove meses, mais de 240 vítimas já foram registradas.

Um exemplo recente é o caso da pedagoga Cláudia Cristina do Carmo Carinhanha, que desde 2016 aguarda a resolução de um processo judicial. Em março, ela recebeu uma mensagem que aparentava ser oficial, apresentando logotipo, linguagem formal e detalhes corretos do processo. A comunicação prometia o pagamento de aproximadamente R$ 40 mil, mediante participação em uma reunião online com um suposto defensor público. Durante a vídeochamada, o interlocutor demonstrava pleno conhecimento do caso, reforçando a credibilidade da abordagem.

Após o contato, ela recebeu um link, supostamente da Receita Federal, para verificar informações adicionais. Ao acessá-lo, autorizou o controle do celular, permitindo que os criminosos realizassem transferências via Pix, levando mais de R$ 10 mil — valor que ela destinava ao cuidado da mãe, que tem Alzheimer. O caso foi registrado na Polícia Civil, que investiga a atuação do grupo criminoso.

De acordo com a Defensoria Pública do Estado, as ações desses traficantes seguem um padrão: utilizam dados reais de processos em andamento, como nome completo, detalhes do caso e número de ação, para criar uma aparência de legitimidade. Com acesso a sistemas públicos da Justiça, eles elaboram abordagens personalizadas, aumentando a chance de convencer as vítimas a realizar transferências ou fornecer dados bancários.

Nem todas as tentativas de golpe resultam em prejuízo. A secretária Rakel Soares de Lima percebeu a inconsistência logo no início, ao notar que o DDD do telefone não coincidia com a região do processo e havia erros na data de documentos. Esses sinais foram suficientes para ela suspeitar da fraude.

Especialistas aconselham agir rapidamente ao identificar golpes, especialmente envolvendo Pix. Entre as possibilidades de tentativa de recuperação está o Mecanismo Especial de Devolução (MED), que pode ser acionado para tentar reaver valores transferidos. Além disso, é fundamental registrar ocorrência na polícia e comunicar o banco imediatamente.

A Defensoria Pública reforça que não cobra por algum tipo de serviço ou atendimento, seja presencial ou por vídeo, fora dos canais oficiais. Qualquer contato que fuja desses procedimentos deve ser tratado com cautela. A Polícia Civil orienta que vítimas procurem uma delegacia para formalizar denúncias, contribuindo para o mapeamento das ações criminosas e identificação dos responsáveis.


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