agosto 16, 2026
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16/08/2026

Avaliação sistemática de políticas públicas é essencial para melhorar segurança no Rio

Na atual fase de campanha eleitoral para o governo do estado, a segurança pública se mantém como tema central nos discursos dos candidatos. No entanto, a abordagem dominante costuma repetir os mesmos clichês, com promessas que muitas vezes se traduzem em soluções simplificadas para problemas complexos. Enquanto as campanhas focam em narrativas e promessas, a população do Rio de Janeiro continua convivendo com elevados índices de insegurança pública.

Apesar de a segurança ser classificada como prioridade por todos os postulantes ao governo, a efetividade dessas promessas deveria começar por uma avaliação criteriosa das ações já realizadas. Para isso, é preciso adotar um método rigoroso de análise, que vá além do simples controle de atividades, e examine de forma fundamentada o impacto e a relevância de cada programa implementado. O objetivo é gerar recomendações concretas que possam orientar melhorias na gestão pública.

Historicamente, a administração pública no Rio de Janeiro costuma lançar iniciativas de grande projeção, investindo recursos vultosos em programas que, muitas vezes, perdem continuidade após troca de gestão. Essa rotina de descontinuidade impede a identificação de ações bem-sucedidas ou de falhas, dificultando o aprimoramento das estratégias de segurança. Assim, decisões baseadas na intuição ou em percepções momentâneas não oferecem resultados confiáveis a longo prazo.

Realizar avaliações sérias e aprofundadas requer análise detalhada de contratos, metas e protocolos operacionais dos programas, além do cruzamento de dados criminais com variáveis socioeconômicas e informações de órgãos de controle. Essa investigação busca compreender os obstáculos presentes nas operações e mensurar o impacto real de cada intervenção, visando a uma compreensão concreta do que funciona ou precisa ser ajustado.

Mais importante do que apontar erros ou fazer críticas, essas avaliações geram orientações específicas para a gestão pública. Elas indicam onde é necessário corrigir rumos, reforçar investimentos ou interromper gastos ineficazes. A elaboração de planos de governo, portanto, não deve se limitar a frases de efeito ou estratégias de marketing eleitoral, mas precisar de propostas fundamentadas na análise de dados e evidências concretas.

A população do Rio de Janeiro precisa de projetos sustentados por indicadores claros e rotinas de monitoramento contínuo. Priorizar a análise e a avaliação de políticas públicas representa o passo fundamental para otimizar os recursos utilizados na segurança e, assim, promover respeito e eficiência na gestão do Estado. Sem uma compreensão aprofundada do passado e do presente, qualquer discurso de campanha corre o risco de ficar apenas na retórica vazia.

Searon Cabral é pedagogo, mestre em avaliação, fundador do Grupo Esperança e presidente do Instituto Tudo que Transforma.


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