O aumento no diagnóstico de autismo no Brasil tem impactado significativamente a rotina das escolas municipais de Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A mudança provoca uma necessidade de adaptação na rede de educação local, que precisa ampliar seu suporte para atender a esse grupo crescente de estudantes.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Censo de 2022 divulgado em 2025 apontou cerca de 2,4 milhões de brasileiros com Transtorno do Espectro Autista (TEA), representando aproximadamente 1,2% da população nacional. Essa tendência é refletida também em Niterói, onde a procura por atendimento especializado aumentou consideravelmente nos últimos anos.
Atualmente, a rede municipal de educação atende aproximadamente 30 mil alunos, dos quais cerca de dois mil possuem diagnóstico ou estão em processo de avaliação para algum transtorno ou deficiência. Entre esses, o autismo é o transtorno mais comum, influenciando cerca de 20% dos casos e demandando apoio mais intenso na rotina escolar. A maior concentração de estudantes nesse grupo ocorre na faixa de 4 a 5 anos, especialmente na educação infantil, além do ensino fundamental.
Para lidar com esse cenário de maior complexidade, a administração municipal tem implementado estratégias focadas em ampliar o suporte às escolas, sem sobrecarregar os profissionais de ensino. Um dos principais esforços é garantir que cada criança receba acompanhamento especializado, sem necessariamente exigir um professor exclusivo para cada estudante, esclareceu o secretário de Educação.
Como medida emergencial, a prefeitura planeja abrir um processo seletivo simplificado para contratação temporária de 300 Agentes de Apoio Escolar, previsto para acontecer ainda neste ano. Os contratos oferecerão salário de aproximadamente R$ 3 mil por mês e carga horária de 40 horas semanais. Com esse grupo, pretende-se reforçar o suporte imediato enquanto o concurso público para contratação definitiva, também de 300 profissionais, é organizado. A expectativa é que a legislação relacionada aos cargos efetivos seja sancionada em breve.
O aumento no número de diagnósticos de TEA, que cresceu cerca de 70% no Brasil entre 2020 e 2024, refletiu na rede pública de Niterói, intensificando a demanda por atenção especializada. Apesar de a cidade já ser uma referência por contar com profissionais de apoio escolar, além de mediadores, há ainda relatos de sobrecarga em alguns momentos rotineiros nas escolas, reconhecidos pela própria administração.
O secretário de Educação explica que o suporte de agentes escolares é fundamental para garantir que as atividades diárias não prejudiquem o desenvolvimento dos estudantes. Atualmente, cerca de 1.100 profissionais atuam na educação especial, incluindo professores de apoio e de salas de recursos, número considerado relevante para a quantidade de crianças com laudo ou em processos de avaliação.
No entanto, a estrutura ainda enfrenta limitações, especialmente em situações onde várias crianças demandam atenção simultaneamente, resultando em sobrecarga para os professores. Para resolver isso, a prefeitura busca ampliar a cobertura de apoio e melhorar o suporte às escolas.
A gestão municipal também aposta na consolidação de políticas de inclusão mais integradas. Além do acompanhamento pedagógico contínuo e de reuniões frequentes com profissionais, há investimentos na formação de profissionais, na estrutura de apoio, e na implementação de iniciativas como o Centro de Avaliação de Inclusão Social (CAIS). Recentemente, o município contratou 220 professores de apoio e criou 150 cargos adicionais, além de implementar o CAIS, uma ferramenta que visa fortalecer as ações de inclusão.
A Secretaria de Educação estima que entre 10% e 20% dos estudantes da rede não são residentes em Niterói, o que aumenta a demanda por vagas e profissionais especializados. Apesar das dificuldades, a rede pública é reconhecida por famílias pela sua qualidade e compromisso com a inclusão, demonstrando a relevância das políticas públicas na cidade.
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