Uma reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, em 30 de agosto de 2024, detalha uma suposta tentativa de influência na divulgação de uma matéria sobre o Banco Master, envolvendo pagamento de R$ 1 milhão a um consultor de comunicação. Segundo conversas obtidas por meio de mensagens de WhatsApp, o banqueiro Daniel Vorcaro teria negociado com o diretor de redação do jornal, Sérgio Dávila, para adiar e minimizar a publicação, enquanto o profissional responsável, Guilherme Barros, atuava na interlocução.
De acordo com registros de mensagens, Vorcaro orientou Barros, em 7 de agosto, a esgotar todas as estratégias possíveis para impedir a divulgação da reportagem naquele momento, oferecendo recompensas por isso. No mesmo dia, o banqueiro justificou a urgência do adiamento alegando que a publicação poderia causar a quebra do banco. Na manhã seguinte, Barros comunicou que havia conseguido postergar a publicação, ressaltando o contato com Dávila.
A reportagem, porém, foi veiculada após mais de duas semanas de atraso, sob o título “Novato na Faria Lima, banqueiro de 40 anos chama a atenção para aquisição em séries e festa com Alok”. O contexto do episódio é marcado por avanços na reestruturação do Banco Master, incluindo a homologação pelo Banco Central de um aumento de capital do Banco de Brasília, que posteriormente adquiriu mais de R$ 16 bilhões em carteiras de crédito do banco de Vorcaro. Na mesma época, o banco anunciou a compra do Will Bank e apoiava propostas legislativas favoráveis ao seu crescimento.
As mensagens revelam que, após o adiamento, Dávila solicitou um encontro com Vorcaro na sede do jornal, agendado para 12 de agosto, com participação do próprio diretor e dois editores, embora este encontro não tenha sido registrado publicamente. Nesse momento, Barros indica que conversaram sobre possíveis dados positivos para a reportagem, incluindo metas de patrimônio, aquisições e estratégias de captação financeira, além de referências à qualidade dos CDBs do banco, sem questionamentos sobre suas estratégias de crescimento.
Após a prisão de Vorcaro, em novembro de 2024, identificaram-se alterações no conteúdo da reportagem, retirando trechos favoráveis ao banqueiro. O texto passou a descrevê-lo como responsável por uma estratégia de venda de CDBs com alta remuneração, sem mencionar as metas de crescimento ou aspectos positivos destacados anteriormente. Os motivos dessas mudanças não foram esclarecidos de forma específica pelos responsáveis, embora o manual de redação da Folha ressalte a importância de transparência na abordagem de alterações em matérias jornalísticas.
Um ponto de atenção inclui menções à possível conexão de Vorcaro com uma propriedade em Orlando, Estados Unidos, que, segundo as mensagens, não foi destaque na reportagem publicada. Além disso, Barros buscou receber o pagamento prometido, justificando que o texto acabou sendo mais moderado na sua versão final. O pagamento, de acordo com apuração, foi efetuado via Pix.
Sobre o episódio, a Folha negou que a reportagem tivesse sido adiada a pedido de Vorcaro, afirmando que a fase final da produção ocorreu normalmente e que o empresário solicitou uma prorrogação apenas para apresentar sua defesa, o que foi concedido. A publicação também esclareceu que o encontro com Vorcaro foi agendado a pedido de Barros, com a intenção de que ele pudesse expor seu lado. Quanto às alterações após a prisão do banqueiro, o jornal garantiu que elas ocorreram para incorporar informações sobre sua detenção e que os leitores são informados de mudanças por meio de aviso abaixo da data original.
Sérgio Dávila declarou ter tomado conhecimento apenas posteriormente, ao ler as mensagens vazadas. O jornal também revelou ter recebido R$ 516 mil em publicidade relacionada a Vorcaro ao longo de cinco anos.
Por fim, Guilherme Barros, que prestou assessoria de imprensa ao Banco Master até 2025, declarou que atuava com transparência e ética em suas atividades, incluindo entrevistas e apresentação de argumentos a veículos de comunicação. Ele reforçou que a reportagem foi publicada com independência editorial e que todas as questões foram devidamente respondidas.
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