As negociações para a escolha do próximo presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro intensificaram-se nos bastidores, especialmente às vésperas da homologação da retotalização dos votos dos deputados estaduais pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), programada para esta terça-feira, 14 de abril. A retotalização, requerida após a cassação do mandato de Rodrigo Bacellar, não alterou a composição das cadeiras, mas oficializa os resultados considerados pela Justiça Eleitoral.
A necessidade dessa atualização resultou na anulação, no final de março, da eleição que havia eleito Douglas Ruas, do PL, para a presidência da Casa. A decisão foi tomada pela desembargadora Suely Lopes Magalhães, que entendeu que a eleição interna para a presidência só poderia ocorrer após a definição formal do colégio eleitoral da assembleia. Como consequência, a disputa pela presidência foi retomada, provocando um rearranjo nas negociações políticas.
Atualmente, aliados do ex-prefeito Eduardo Paes, do PSD, tentam construir uma base de apoio que inclua partidos de centro e esquerda, buscando uma maioria com pelo menos 36 votos para garantir a eleição do novo presidente da Casa. O partido, que aumentou sua bancada de seis para dez deputados na última janela partidária, visa transformar esse crescimento em influência na disputa. Contudo, o apoio do PSOL não é garantido e depende de concordância com um entendimento mais amplo, que dialogue com o campo do presidente Lula, elevando a complexidade das negociações internas.
Paralelamente, o bloco apoiado por Eduardo Paes começou a considerar alternativa ao nome de Douglas Ruas, como André Corrêa, recém-filiado ao PSD, ou Rosenverg Reis, do MDB. Este último possui ligação direta com o entorno do ex-prefeito, sendo irmão de Jane Reis, candidata ao cargo de deputada federal na eleição de outubro.
Na ala da direita, o PL mantém Douglas Ruas como seu candidato principal para retornar à presidência. Ele foi eleito para o cargo antes de sua anulação judicial e conta com apoio do partido, além de respaldo do ex-governador Cláudio Castro e do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson. O partido também considera a possibilidade de apoiar Guilherme Delaroli, atual presidente interino, defendendo a ideia de estabilidade administrativa enquanto se prepara para a disputa eleitoral em âmbito estadual.
A definição do novo chefe da Assembleia ganhou maior relevo devido ao seu papel na conjuntura política estadual, tornando-se uma peça estratégica no cenário do poder local. Nesse contexto, a Justiça reforça que a eleição interna deve aguardar a homologação da retotalização, o que impede qualquer avanço na escolha antes do entendimento oficial da nova composição da casa legislativa.
Com a retotalização ainda pendente de homologação, o cenário permanece incerto. De um lado, há a disputa pelo controle da Assembleia; de outro, o peso político que cada grupo deseja consolidar na rearrumação do poder no Estado do Rio de Janeiro. A definição do cargo, portanto, reflete interesses diferenciados e estratégias de fortalecimento de grupos políticos na preparação para o cenário de votação estadual.
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