maio 21, 2026
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21/05/2026

Brasil enfrenta baixa cobertura na coleta seletiva e falta de prioridade em gestão de resíduos

No dia 17 de maio, foi comemorado o Dia Mundial da Reciclagem, uma data que deve estimular reflexão sobre a gestão de resíduos sólidos no Brasil. Além de ações institucionais, o foco principal deve ser o debate sobre a realidade do país, marcada por baixos índices de reciclagem e uma política de resíduos que ainda prioriza pouco o reaproveitamento de materiais.

O cenário brasileiro revela um alto grau de desperdício de recursos, com bilhões de reais em materiais reaproveitáveis sendo descartados de forma inadequada. A insuficiente implementação de programas de coleta seletiva e a pouca valorização das cooperativas de catadores continuam sendo obstáculos relevantes na gestão de resíduos sólidos. Muitas cidades, especialmente na região metropolitana do Rio de Janeiro, apresentam índices mínimos de cobertura de programas de coleta porta a porta, dificultando a inclusão social e o desenvolvimento sustentável.

A realidade é agravada pelo baixo investimento do poder público em ações de reciclagem, além da ausência de planejamento estratégico e de uma estrutura adequada para o setor. A escassez de vontade política impede avanços significativos, enquanto toneladas de resíduos continuam enterradas diariamente, ao passo que possibilidades de geração de emprego, renda e redução de impactos ambientais permanecem negligenciadas.

Na experiência de gestores públicos locais, a implementação de políticas de resíduos sólidos é vista como prioridade. Em Mangaratiba, as ações concentraram-se na organização ambiental do município, fortalecendo o debate sobre destinação de resíduos e promovendo um modelo de gestão integrada. Em Itaguaí, avanços foram feitos na elaboração de políticas ambientais estruturantes, junto ao fortalecimento de instrumentos de gerenciamento e educação ambiental.

Em São João de Meriti, a administração atual vem consolidando seu compromisso com a questão. Entre suas ações, destaca-se a implementação de um Programa Municipal de Coleta Seletiva e Inclusão Social, além da regularização de cooperativas de reciclagem com o apoio direto do município. Uma medida recente foi a emissão do primeiro licenciamento ambiental unificado para uma cooperativa local, beneficiando dezenas de famílias e garantindo segurança jurídica aos trabalhadores do setor.

Essa iniciativa simboliza uma mudança na forma de valorizar os catadores e reforça que a reciclagem está relacionada às políticas sociais, ao fortalecimento da economia circular e à sustentabilidade. A eleição de governos comprometidos com essa pauta é fundamental para transformar a gestão de resíduos e promover avanços concretos na qualidade de vida das cidades.

A reciclagem deixou de ser uma agenda apenas de campanhas ou datas comemorativas e precisa ser encarada como uma estratégia para saúde pública, desenvolvimento econômico e inclusão social. A priorização do reaproveitamento de materiais é uma questão de responsabilidade, que exige o engajamento de gestores públicos, equipes técnicas bem qualificadas e uma tendência de longo prazo.

Sem o compromisso político do chefe do executivo, dificilmente as políticas de resíduos sólidos terão impacto duradouro. Quando essa vontade existe, resultados positivos se consolidam: cooperativas fortalecidas, programas implementados e a população mais consciente. Assim, o avanço na gestão de resíduos depende de ações integradas e de uma visão de sustentabilidade que envolva toda a sociedade.


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