abril 3, 2026
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03/04/2026

Calor intenso nas favelas do Rio supera dados oficiais e reforça necessidade de intervenções

Um estudo pioneiro revelou que as temperaturas nas comunidades do Rio de Janeiro podem atingir quase 44°C, valor consideravelmente superior aos registros oficiais. A pesquisa, realizada no âmbito do projeto Observatório do Calor, analisou medições feitas entre setembro de 2025 e janeiro de 2026 em diferentes favelas da cidade. Os resultados evidenciam uma acentuada discrepância entre os dados oficiais e a realidade climática dessas áreas, destacando o impacto de ilhas de calor em regiões densamente ocupadas e com poucas vegetações.

Ao longo do período de monitoramento, o Morro do Adeus apresentou o maior registro de temperatura, atingindo 43,92°C em 26 de dezembro, enquanto o sistema oficial indicava uma máxima de 34°C na mesma data. Essa diferença evidencia o fenômeno ambiental que intensifica o calor nas áreas urbanas com alta concentração de construções e poucas áreas verdes, fenômeno conhecido como ilha de calor. Os fatores que contribuem para essas condições incluem ruas estreitas, baixa permeabilidade do superfície e escassez de arborização.

Diante do cenário, a prefeitura anunciou a expansão do monitoramento para outros bairros vulneráveis, como Manguinhos e o comunidade do Morro do Salgueiro, que também apresentam altas temperaturas devido a fatores urbanísticos. A iniciativa conta com apoio de universidades federais e estaduais para a análise dos dados e o desenvolvimento de medidas que possam mitigar o efeito do calor, tendo como foco ações como o aumento de espaços verdes, instalação de áreas de sombra e implantação de superfícies mais permeáveis.

As medições, realizadas três vezes ao dia por moradores, visam garantir uma compreensão mais precisa e local das condições climáticas. Entre as estratégias consideradas para reduzir o impacto do calor estão o plantio de árvores, a criação de áreas abertas e a instalação de estruturas que favoreçam a circulação de ar. Em áreas como Manguinhos, a combinação de alta densidade urbana, proximidade a vias movimentadas e poucas áreas verdes agrava o problema, enquanto no Morro do Salgueiro, a presença de hortas comunitárias e espaços verdes fornece algum alívio às temperaturas elevadas.

Por ora, moradores continuam enfrentando dificuldades relacionadas ao acesso a sistemas de refrigeração, agravando os efeitos do calor extremo na qualidade de vida dessas comunidades. O esforço de monitoramento e análise busca promover intervenções mais eficientes para minimizar os impactos ambientais e sociais decorrentes do fenômeno.


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