O projeto de lei que visa declarar os trabalhadores ambulantes e camelôs das praias e orla do Rio de Janeiro como patrimônio cultural de caráter imaterial foi temporariamente retirado de pauta na Câmara Municipal, após pedido de adiamento feito pelo presidente da casa, Carlo Caiado. A proposta, que já havia passado pela primeira votação, deve retornar ao plenário em futuras sessões, enquanto os vereadores continuam a debater a matéria.
A iniciativa, de autoria do vereador Leonel de Esquerda, ganhou maior destaque recentemente, em meio ao crescente debate sobre a gestão na orla, atuação do comércio informal e limites na fiscalização das praias cariocas. A proposta busca reconhecer a importância histórica desses trabalhadores e seu envolvimento com a rotina das regiões litorâneas, considerando-os parte da identidade cultural da cidade. No entanto, o tema tem gerado resistência, especialmente por entidades do setor produtivo.
Caiado justificou o adiamento como uma oportunidade para os parlamentares aprofundarem a discussão e buscar um consenso. Ele reconheceu a relevância dos vendedores tradicionais, como os de mate e sanduíche natural, para a cultura da praia carioca, mas ressaltou preocupações acerca da prevalência do trabalho irregular, que impacta tanto os trabalhadores quanto a experiência de turistas e moradores.
O episódio recente de agressão na orla de Ipanema intensificou o foco político ao redor do tema, embora a proposta ainda não tenha contado com ampla mobilização pública até então. Apesar do adiamento, o debate deve reaparecer nas próximas sessões, revelando um impasse entre o reconhecimento da atividade como patrimônio cultural e os riscos de promover uma legitimação da informalidade que pode dificultar ações de ordenamento urbano.
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