Um acidente na Tijuca resultou na morte de uma mulher e de um menino, após serem atingidos por um ônibus enquanto pedalavam em uma bicicleta elétrica. O episódio reacende discussões sobre o caos no tráfego urbano do Rio de Janeiro, especialmente no que tange ao uso de veículos não convencionais e às dificuldades na convivência entre diferentes modos de transporte.
A situação do trânsito na cidade apresenta sinais preocupantes de desordem e falta de regulamentação adequada. Apesar de as leis de trânsito estabelecerem que ciclomotores devem trafegar em vias laterais de até 40 km/h, a maioria das ruas na área urbana possui limites superiores a 50 km/h, chegando a 90 km/h em alguns trechos. Essa discrepância reforça a necessidade de medidas mais incisivas, sobretudo no que diz respeito à redução compulsória da velocidade nas vias urbanas, uma iniciativa que depende de legislação federal.
Recentemente, o prefeito Eduardo Cavaliere aprovou um decreto proibindo a circulação de veículos nas calçadas e restringindo a presença de ciclomotores, bicicletas e patinetes elétricos em vias com limites superiores a 60 km/h. Entretanto, especialistas avaliam que essa restrição pode dificultar a mobilidade sustentável na cidade, dada a crescente popularidade do uso de veículos elétricos de pequeno porte.
No Congresso Nacional, tramita o Projeto de Lei 2789/2023, que visa estabelecer um limite de 50 km/h nas principais vias arteriais do município, ajustando o Código de Trânsito Brasileiro de forma a alinhar o Rio de Janeiro com boas práticas internacionais. Países como a Holanda adotam essa padronização, priorizando a segurança viária com a redução da velocidade, considerada uma das principais estratégias para a humanização do trânsito.
Outro desafio importante é a conscientização dos usuários de bicicletas elétricas, além de significativamente reduzido o investimento em infraestrutura para esse Modal. Dados recentes do Corpo de Bombeiros indicam aumento de 244% nos acidentes com esses veículos entre 2024 e 2025 na cidade, sendo comum a circulação em calçadas, na contramão ou com veículos adulterados que ultrapassam os 60 km/h. Até agora, foram criados apenas 47 km de novas ciclovias nos últimos anos, o que evidencia a necessidade de ampliar essa rede para melhorar a segurança e estimular o uso de modos de transporte mais sustentáveis.
Atualmente, a discussão sobre o futuro do trânsito no Rio de Janeiro envolve escolhas claras: priorizar a velocidade e a conveniência ou estabelecer um ambiente seguro para pedestres, ciclistas e motoristas. A implementação de normas mais rígidas, aliada a fiscalização efetiva, é fundamental para evitar que tragédias voltem a se repetir e transformar-se em uma rotina.
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