A partir do próximo domingo, dia 16 de agosto, inicia-se oficialmente a campanha eleitoral no Brasil, período em que os eleitores deverão estar atentos às novas dinâmicas provocadas pelo avanço da inteligência artificial no cenário político. Nesse contexto, o público precisará avaliar com maior rigor propostas, discursos e promessas, além de verificar a autenticidade de conteúdos recebidos por canais digitais, como vídeos, áudios e imagens, que podem ter sido produzidos ou modificados artificialmente.
As autoridades eleitorais estabeleceram regras específicas para o uso de inteligência artificial nas campanhas de 2026. Embora o uso da tecnologia não seja proibido, conteúdos sintéticos precisam apresentar informações de identificação clara, destacada e acessível, garantindo transparência. Quanto ao deepfake — técnica que manipula imagens, vídeos e vozes com aparência realista — ela está proibida quando utilizada para favorecer ou prejudicar candidaturas.
Especialistas alertam para a necessidade de uma postura mais crítica por parte dos eleitores. Segundo um advogado especializado, conteúdos produzidos por inteligência artificial podem induzir ao engano quando compartilhados sem verificação prévia. Ele recomenda que o público busque a origem das informações, verifique se elas estão disponíveis em canais oficiais e se há indicações de manipulação ou produção artificial.
As normas também determinam que responsáveis por propagandas políticas precisam informar, de forma explícita, qualquer uso de conteúdo sintético ou alterado por inteligência artificial, de modo acessível para o público. Além disso, plataformas digitais ficarão obrigadas a cooperar na fiscalização de conteúdos suspeitos, principalmente aqueles que possam promover desinformação ou manipulação.
A legislação eleitoral reforça ainda que qualquer conteúdo fabricado ou alterado com a intenção de divulgar informações falsas ou distorcidas com potencial de prejudicar a integridade eleitoral é passível de sanções. Nos casos de deepfake, as penalidades poderão ser severas, caso a tecnologia seja empregada com fins de favorecimento ou prejuízo às candidaturas.
A preocupação do Tribunal Superior Eleitoral também se estende às próprias empresas de tecnologia. Essas plataformas deverão apresentar, até o dia 16 de agosto, planos de conformidade com medidas de prevenção às diversas formas de manipulação digital, incluindo a regulação de conteúdos falsos, publicidade política e comportamentos coordenados.
Orientações para os eleitores reforçam a importância de checar as fontes antes de compartilhar qualquer conteúdo. Uma mensagem ou vídeo que pareça surpreendente ou fora do padrão habitual de um candidato deve ser verificado por fontes confiáveis ou canais oficiais. É fundamental atentar para a indicação, nos conteúdos, de eventual uso de inteligência artificial na produção de materiais promocionais ou de fake news.
Com a incorporação definitiva da inteligência artificial na comunicação política, a conscientização do público torna-se ainda mais crucial. A recomendação é que os eleitores não tomem decisões com base em conteúdos isolados, buscando sempre verificar a origem das informações e sua veracidade. Assim, é possível prevenir a circulação de informações manipuladas e contribuir para a integridade do processo eleitoral.
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