maio 19, 2026
maio 19, 2026
19/05/2026

Cedae inicia cortes e auditorias para evitar déficit até 2027

O novo presidente da Cedae, Rafael Rolim, anunciou uma série de ações com o objetivo de evitar o desequilíbrio financeiro da estatal até 2027. Desde sua posse em 16 de abril, o gestor implementou medidas de contenção de gastos, iniciando por uma redução de 25% no orçamento destinado a contratos de obras e serviços, o que representa uma diminuição de aproximadamente R$ 500 milhões. Os cortes podem chegar a 35% nos próximos trinta dias. Também houve uma redução de cerca de R$ 5 milhões em despesas anuais com funcionários terceirizados, comissionados e servidores extras.

Segundo Rolim, o descompasso entre as projeções orçamentárias e a situação real financeira da companhia requer uma intervenção rápida. Ele destacou que o objetivo é evitar problemas futuros, sobretudo relacionados à liquidez da empresa, que atualmente apresenta dificuldades para cumprir suas obrigações financeiras.

Além das medidas de redução de custos, a administração iniciou auditorias em contratos firmados nos doze meses anteriores à sua entrada na presidência. Já foram identificados contratos cujo valor total ultrapassa R$ 1 bilhão, assinados por dispensa ou inexigibilidade de licitação, além de processos licitatórios realizados fora das regras da companhia. Paralelamente, avaliações estão sendo feitas em aplicações financeiras, que somam R$ 2,2 bilhões, incluindo investimentos feitos em bancos que passaram por procedimentos de liquidação extrajudicial.

A gestão também revisou a política de investimentos financeiros da estatal, considerada mais rígida e conservadora, diante dos riscos envolvidos. Uma dessas aplicações, de mais de R$ 200 milhões, foi realizada no Banco Master, notícia que gerou preocupação após a instituição ter sua liquidação decretada em novembro do ano passado por suspeitas de gestão fraudulenta.

Outra auditoria investiga o histórico acordo de redução tarifária com a concessionária Águas do Rio, firmado após alegações de discrepâncias nos índices de cobertura de água e esgoto. Tal pacto, celebrado com base em dados de empresas contratadas pelo BNDES, resultou na suspensão temporária da cobrança do valor cheio pelos serviços de água. O presidente afirmou que a Cedae não tem envolvimento nas informações que embasaram esse acordo.

A análise também contempla os contratos de concessionárias que atuam na distribuição de água e esgoto no estado, além de serviços prestados pela própria estatal em parte do território fluminense. Os cortes de gastos, que não seguem um padrão linear, atingem áreas como operação, tecnologia da informação e finanças, incluindo obras em unidades operacionais, monitoramento de sistemas e elaboração de softwares.

Quanto ao balanço financeiro de 2025, a previsão é atrasar a sua entrega à Comissão de Valores Mobiliários. A atual administração identificou inconsistências nos dados, que inicialmente indicavam lucro de R$ 1,1 bilhão, mas que agora passarão por revisão. O documento deve ser enviado ao órgão regulador ainda neste mês.

Rafael Rolim também reforçou a necessidade de os funcionários atuarem como fiscais do orçamento, pedindo maior atenção aos gastos. A equipe de gestão, que promoveu a despolitização das diretorias, conta com reforços na área financeira, atualmente liderada por Rodrigo Morales, profissional com experiência no setor de energia, petróleo e gás.

Finalmente, o presidente apresentou dados que indicam crescimento de 17% nos custos com pessoal e de 116% nos contratos com terceiros, entre 2023 e 2026. Segundo projeções internas, sem a adoção de novas medidas, a Cedae manteria um resultado positivo de aproximadamente R$ 646 milhões ao encerramento de 2026. Contudo, a tendência aponta para um déficit de R$ 387 milhões em 2027, caso as ações de contenção não sejam ampliadas.


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