O aumento significativo das chuvas nas principais regiões produtoras do Brasil resultou na elevação dos preços de alimentos essenciais, impactando o custo da cesta básica em todas as capitais do país. Pesquisa conjunta do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revela uma tendência de alta generalizada nos preços de alimentos básicos, incluindo feijão, batata, tomate, carne bovina e leite.
Entre os produtos analisados, o feijão destacou-se por seu aumento em todas as áreas, influenciado por dificuldades na colheita, redução na área plantada na primeira safra e expectativas de menor produção na safra seguinte. O feijão carioca, registrado na região Sudeste e Centro-Oeste, chegou a valer até R$ 350 a saca, enquanto o preto, de acordo com a safra anterior, oscila entre R$ 200 e R$ 210, com projeções de aumento na próxima safra devido às condições climáticas adversas. Ainda assim, prevê-se uma produção superior a 3 milhões de toneladas na temporada, ligeiramente acima da do ciclo anterior, embora o setor ainda enfrente incertezas devido ao custo crescente de fertilizantes e combustíveis.
O impacto das chuvas foi sentido também na redução ou estabilidade do preço de alguns produtos, como o açúcar, cuja oferta aumentou, provocando queda em 19 capitais. A análise aponta que São Paulo manteve o maior valor na cesta básica, com R$ 883,94, enquanto Aracaju apresentou o menor, com R$ 598,45. Em média, as capitais com maior alta de preços foram Manaus, Salvador, Recife, Maceió e outras, com variações entre 5% e 7,5%. Em valores absolutos, além de São Paulo, destacaram-se Rio de Janeiro, Cuiabá, Florianópolis e Campo Grande, com custos acima de R$ 800.
A relação entre salário mínimo — atualmente em R$ 1.621,00 — e o custo da cesta mostra que, nas cidades mais caras, um trabalhador precisa de aproximadamente 109 horas de trabalho para adquirir os alimentos essenciais. Apesar do aumento real dos preços, a comparação com o ano anterior revela uma redução na proporção de renda necessária para isso.
Do total de capitais analisadas anualmente, 13 tiveram alta nos preços da cesta básica e quatro apresentaram queda. A maior alta ocorreu em Aracaju, Salvador e Recife, enquanto Brasília e Florianópolis registraram as reduções mais expressivas. A avaliação anual foi possível para 17 capitais, pois o Dieese não realiza levantamento mensal em algumas regiões, incluindo Macapá, Manaus e Teresina.
O cenário atual evidencia o impacto direto das condições climáticas adversas na produção agrícola, especialmente para o feijão, que apresenta aumento de preços devido à redução na oferta. A expectativa é de que, a partir da próxima safra irrigada, prevista para o período de agosto a outubro, os preços do feijão caiam. No entanto, a tendência de alta do custo de produção, influenciada por fatores como fertilizantes e combustíveis, mantém uma perspectiva de incerteza sobre os valores futuros.
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