Cinco bairros do Rio de Janeiro estão entre os dez do país com maior número de residentes em apartamentos, segundo um levantamento baseado no Censo Demográfico de 2022. A pesquisa revela que a cidade conta com mais de 2,2 milhões de habitantes nesse tipo de moradia, com a Barra da Tijuca liderando a região e ocupando a segunda colocação nacional.
Entre os bairros do Rio que figuram no ranking nacional, estão a Barra da Tijuca, com mais de 131 mil moradores em unidades residenciais, além de Copacabana, Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Jacarepaguá, apresentando, respectivamente, 112.868, 109.556, 108.830 e 103.316 habitantes nesse formato de habitação. No cenário nacional, apenas o Plano Piloto, em Brasília, ultrapassa a Barra da Tijuca, com aproximadamente 173 mil moradores em apartamentos.
Apesar de a Barra da Tijuca ter o maior contingente de residentes nesse tipo de moradia na cidade, Copacabana possui a maior quantidade de apartamentos, totalizando 57.650 unidades, contra 55.995 na Barra. Em média, cada apartamento na Tijuca abriga 2,35 pessoas, enquanto em Copacabana o índice é de 1,96 indivíduos por unidade.
Já bairros como Grumari e Gericinó não apresentaram moradores em apartamentos, enquanto áreas como Joá, Cidade Universitária e Barra de Guaratiba, têm registros muito baixos, com oito, 47 e 124 residentes, respectivamente.
De acordo com dados do IBGE, cerca de 36% dos habitantes do Rio viviam em apartamentos em 2022, percentual que representa um aumento modesto frente aos 32,6% de uma década antes. Nesse período, a proporção cresceu 3,4 pontos percentuais, embora o ritmo seja inferior ao observado em outras capitais do Sul e Sudeste.
O levantamento também aponta diferenças médias no tamanho dos domicílios: while casas abrigam, em média, 2,7 moradores, apartamentos têm uma média de 2,3 pessoas por unidade. Especialistas interpretam essa tendência como resultado de mudanças demográficas, como a redução da fecundidade e o aumento de residências com apenas um habitante ou casais sem filhos.
A consolidação de empreendimentos residenciais com grande número de apartamentos na Barra da Tijuca está associada à história de desenvolvimento do bairro. A partir da década de 1970, a área passou por expansão significativa, impulsionada por projetos urbanísticos planejados, com foco em condomínios de grande porte, que oferecem infraestrutura de lazer e serviços internos. Outros bairros, como o Recreio dos Bandeirantes, também seguiram essa trajetória.
Especialistas destacam que a concentração de moradias em condomínios e áreas planejadas pode impactar o uso de espaços públicos e o contato diário com comunidades externas. A expansão da região, por sua vez, é atribuída às operações de especulação imobiliária e ao crescimento não planejado acima das previsões originais, o que levanta questões sobre a necessidade de ampliar a infraestrutura pública para acomodar o aumento populacional de forma adequada.
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