abril 7, 2026
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07/04/2026

Clima de tensão política no Rio de Janeiro cobra eleições diretas e influencia disputa pelo governo

Na terça-feira (7), o Rio de Janeiro vivenciou uma intensificação da tensão política, com figuras do cenário estadual mobilizando-se em direção ao Supremo Tribunal Federal. O ex-prefeito da cidade, Eduardo Paes (PSD), utilizou suas redes sociais para solicitar a realização de eleições diretas, condicionando sua postura à decisão do STF prevista para o dia seguinte. Caso haja entendimento favorável às eleições populares, Paes manifesta interesse em disputar o Governo do Estado.

A manifestação ocorre após a publicação de apoio da Procuradoria-Geral da República (PGR) ao pedido do PSD para que a escolha do governador em exercício, em mandato provisório, seja feita por voto popular, em contraste com a preferência por eleições indiretas demonstrada por ministros do tribunal. Paes criticou ainda a tentativa de eleição para a presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), elegeu de forma temporária o deputado Douglas Ruas (PL-RJ), qualificando a ação como “abuso e desrespeito às instituições”.

Na sua declaração, o ex-prefeito criticou a conduta de Cláudio Castro e do Partido Liberal, acusando-os de utilizarem estratégias que, segundo ele, tentam contornar a justiça. Paes afirmou que essa postura está sendo cada vez mais questionada pelo sistema judiciário e conclamou por eleições diretas, afirmando que as tentativas de manipulação não ficarão impunes.

A controvérsia judicial sobre a eleição na Alerj ocorreu logo após a suspensão de Douglas Ruas, eleito por maioria de votos na Casa, por decisão da Justiça do Rio de Janeiro. A afirmação judicial foi fundamentada na necessidade de retotalização de votos, procedimento que deveria ocorrer antes do início do processo eleitoral. A suspensão ocorreu poucas horas após a posse, gerando questionamentos quanto à legitimidade do processo.

Por sua vez, o Ministério Público Eleitoral também se posicionou favoravelmente às eleições diretas. Segundo o vice-procurador-geral eleitoral, as circunstâncias de afastamento de gestores por questões eleitorais justificam a convocação de plebiscito popular, conforme previsão legal. A atuação do MP diverge de argumentos utilizados por defensores de eleições indiretas, que defendem uma escolha do governador por renúncia e não por mandato eletivo.

No contexto, o ex-governador Cláudio Castro, do Partido Liberal, foi alvo de crítica após renunciar ao cargo dias antes de ser condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder. Posteriormente, sua saída foi interpretada por aliados políticos como uma tentativa de evitar penalidades que o tornariam inelegível por oito anos. O PSD acusa Castro de usar a renúncia como estratégia para tentar alterar o curso das eleições no estado.

Atualmente, a gestão do governo interino no Rio de Janeiro está sob a responsabilidade do presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto. O cargo vago, anteriormente ocupado por Castro, permanece sem um titular definitivo, uma vez que o vice, Thiago Pampolha, deixou o cargo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado. A próxima nomeação deva depender de desdobramentos jurídicos e políticos, incluindo possíveis novas eleições ou indicações judiciais.


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