abril 13, 2026
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13/04/2026

Clube Federal do Alto Leblon enfrenta crise de gestão e abandono, promete ações judiciais

O Clube Federal, localizado no bairro do Alto Leblon, enfrenta dificuldades financeiras e de gestão que culminaram em sua deterioração, apesar de sua posição privilegiada na zona sul do Rio de Janeiro. Recentemente, o Secretário Municipal de Administração, Bernardo Egas, que também é proprietário do clube, anunciou ações judiciais para compelir a realização de eleições internas e promover uma transparência maior na administração da entidade.

Egas destacou, em vídeo divulgado nas redes sociais, o estado de abandono do espaço, alegando que o clube encontra-se em situação precária. Segundo ele, há preocupações de que essa situação seja manipulada propositalmente para inviabilizar o funcionamento da instituição, especialmente considerando a forte pressão do mercado imobiliário na região, marcada por terrenos valorizados.

A crise no Clube Federal tem raízes que remontam a décadas. Desde sua última eleição regular, ocorrida em 1994, com a eleição de Alexandre Euclydes Pinaud, não há registros de processos eleitorais feitos de forma adequada. Uma tentativa em 1998 foi contestada na Justiça, resultando na manutenção do controle do clube por um mesmo grupo familiar, atualmente liderado por Karla Pinaud. O baixo número de associados atuais, que não ultrapassa cem, reflete o declínio em adesão, que chegou a mais de três mil na época do auge do clube.

Relatos de associados indicam falta de transparência na gestão, incluindo desconhecimento sobre a composição da diretoria e ausência de informações financeiras e administrativas. O cenário jurídico também evidencia esse problema: em janeiro, o Tribunal de Justiça do Rio determinou a realização de eleições após ações judiciais apresentadas por sócios, que também buscaram uma lista atualizada de membros, já que documentos fornecidos continham nomes de pessoas falecidas, alimentando suspeitas sobre a condução do clube.

O aspecto físico do espaço evidencia o desgaste dos equipamentos e instalações: quadras de tênis rachadas, iluminação deficiente, o restaurante fechado há anos, além de áreas como a piscina e o bar da piscina apresentarem sinais de deterioração, enquanto as taxas de mensalidade permanecem elevadas. Os associados questionam as justificativas para reajustes de valores, alegando a ausência de assembleias para aprovação das mudanças e a falta de informações claras.

Recentemente, novas tarifas foram cobradas sem convocação formal, incluindo cobranças adicionais para convidados e aumentos de tarifas de uso de áreas comuns. Além disso, a dívida previdenciária do clube ultrapassa R$ 5 milhões, sem clareza sobre possíveis parcelamentos ou riscos de execução judicial.

Diante do quadro, há movimento por parte de representantes do clube para buscar soluções. O envolvimento do secretário Egas resultou na articulação com o deputado federal Marcelo Queiroz, que estuda a criação de uma frente parlamentar dedicada à preservação de clubes sociais no Rio. A iniciativa visa alertar para a situação, considerada preocupante, e promover ações voltadas à manutenção dessas instituições na cidade.


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