junho 11, 2026
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11/06/2026

Conselheiros do TCE-RJ receberam acima do teto com benefícios antes de decisão do STF

Nos últimos meses, os sete conselheiros titulares do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro receberam remunerações que ultrapassaram o limite constitucional do funcionalismo público, atualmente fixado em R$ 46,5 mil. Esses valores mais elevados foram resultantes de pagamentos adicionais, conhecidos como penduricalhos, que ampliaram os salários além do teto permitidos pela legislação.

Entre maio de 2025 e abril de 2026, o tribunal contabilizou despesas de aproximadamente R$ 11,8 milhões referentes a esses pagamentos, que englobam salários, gratificações e verbas indenizatórias. A maior parte desses pagamentos ocorreu antes de uma decisão do Supremo Tribunal Federal, em maio de 2026, que suspendeu parcialmente esses benefícios extras e fixou um limite mensal de R$ 78,8 mil para valores adicionais.

O valor mais alto registrado foi destinado ao conselheiro Rodrigo Melo do Nascimento, que recebeu quase R$ 3 milhões em outubro de 2025. O montante incluía um salário de R$ 388 mil e verbas indenizatórias de R$ 2,5 milhões, sob a justificativa de “excesso de trabalho”. Outras altas ocorreram com a conselheira Marianna Montebello, que recebeu mais de R$ 200 mil por vários meses consecutivos, atingindo um total superior a R$ 800 mil em fevereiro de 2026. Também em outubro de 2025, o conselheiro José Gomes Graciosa recebeu mais de R$ 1 milhão, enquanto o presidente do Conselho, Márcio Pacheco, obteve remuneração superior a R$ 380 mil no mesmo período.

Incluso nesse levantamento estão dois conselheiros afastados recentemente do cargo. Domingos Brazão, preso desde março de 2024 devido à investigação envolvendo a morte da vereadora Marielle Franco, recebeu cerca de R$ 10 mil de auxílio-alimentação além do salário de R$ 35 mil, entre fevereiro e abril de 2026. Marco Antônio de Alencar, afastado há quatro anos por processo de corrupção, acumulou aproximadamente R$ 600 mil nesse mesmo período.

As remunerações foram pagas em período anterior à suspensão dos benefícios extras, determinada pelo STF. Até maio de 2026, as instituições vinculadas ao sistema de justiça podiam estabelecer e distribuir esses adicionais, com destaque para o pagamento sob a justificativa de licença compensatória no caso do TCE-RJ. Com a nova regulamentação, o limite mensal de adicionais foi fixado em R$ 78,8 mil, resultando na redução dos valores pagos aos conselheiros, agora dentro do teto estabelecido.

A entidade declarou que os valores pagos antes de maio seguiram as mesmas diretrizes praticadas por outros órgãos do sistema de justiça.


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