Nos diversos bairros do Rio de Janeiro, contêineres de grande porte conhecidos como “laranjões” têm se tornado parte frequente da paisagem urbana. Instalados pela Comlurb como estratégia para modernizar a coleta de lixo e diminuir resíduos nas ruas, esses equipamentos estão enfrentando críticas de moradores e comerciantes devido ao uso inadequado, problemas de manutenção e localização insuficiente. A empresa estuda alterações no modelo e na estética dessas estruturas diante das dificuldades observadas.
Os contêineres, com capacidade para até 1.200 litros, já totalizam aproximadamente 15 mil unidades espalhadas pela cidade, com previsão de expansão para mais 20 mil até o final do ano. A instalação é realizada com base em critérios técnicos ligados ao fluxo de pedestres, ao volume de resíduos e à relevância de cada local. Contudo, no cotidiano, observa-se uma realidade distante dessa orientação: contêineres destampados, transbordando e rodeados por lixo, móveis descartados de maneira irregular e resíduos dispersos ao redor.
Na Zona Sul, especialmente em Copacabana, moradores relatam problemas frequentes, incluindo mau cheiro, poluição visual e níveis de ruído elevados, especialmente durante a coleta noturna. A instalação em calçadas estreitas também tem sido apontada como obstáculo à circulação de pedestres e à acessibilidade. Além disso, o uso irregular e inadequado prejudica o funcionamento do sistema, com relatos de descarte de objetos como colchões, móveis e até animais mortos, como um cachorro encontrado dentro de um contêiner na região. Uma das críticas feitas pelo representante da Sociedade Amigos de Copacabana diz respeito à dificuldade de manuseio do equipamento, que fica pesado e barulhento quando cheio, além de dificultar a limpeza e gerar mau cheiro.
O comportamento da população também é considerado um fator que agrava a situação. Comerciantes e moradores de bairros como Botafogo e Ipanema afirmam que há descarte irregular de materiais nos contêineres, incluindo objetos de grande porte, restos orgânicos e resíduos inapropriados. A falta de orientação clara à população sobre o uso correto dos equipamentos também é apontada como causa do problema, levando ao excesso de lixo depositado além do período adequado de coleta.
Especialistas destacam que a adoção de contêineres para gestão de resíduos é uma tendência mundial, porém, seu sucesso depende de planejamento adequado e de ações educativas. Segundo um representante do setor de resíduos, é fundamental que a população compreenda seu papel na destinação correta do lixo, além de garantir uma manutenção eficiente e uma dimensão apropriada dos equipamentos conforme as áreas atendidas.
A companhia responsável pelo serviço afirma que o modelo adotado tem gerado avanços, incluindo uma redução de 28% no volume de lixo nas ruas, o equivalente a cerca de 2.200 toneladas diárias. Ainda assim, reconhece a necessidade de ajustes e considera a implementação de novos formatos mais compatíveis com o cenário urbano. Entre as possíveis mudanças está a substituição dos atuais contêineres por versões menos visíveis, principalmente na orla, com o objetivo de diminuir o impacto na paisagem urbana. A cor laranja, característica dos modelos atuais, poderá ser trocada por tonalidades neutras, como o cinza, buscando um equilíbrio entre eficiência operacional e preservação visual.
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