março 27, 2026
março 27, 2026
27/03/2026

Crimes e ameaças ilegais interrompem operações de internet na Região Metropolitana do Rio

Grupos criminosos têm forçado suspensões de serviços de internet na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, por meio de ameaças, cobranças ilegais e ataques às empresas do setor. Essas ações, identificadas por empresários locais, têm causado interrupções na conexão, afetando moradores, trabalhadores e pequenos negócios que dependem da internet para suas atividades diárias.

Segundo relatos de empresários ouvidos pela imprensa, às vezes equipes técnicas são abordadas por indivíduos armados, que as ameaçam e obrigam a deixar os locais sob ameaça ou violência. Há também informações de que organizações criminosas estariam controlando operações na área, impedindo a entrada de novos provedores. Essas ações envolvem advertências de que determinados territórios “já teriam dono” e ataques diretos com uso de armas.

Diversas cidades da Grande Rio já apresentam áreas sem acesso ao serviço. Dados de uma das empresas indicam que, em Niterói e São Gonçalo, mais de 30 e 27 bairros, respectivamente, estão sem cobertura de internet. Em Magé, quatro bairros perderam o serviço, assim como dois bairros em Rio Bonito e um em Tanguá. Em Várzea das Moças, na cidade de Niterói, uma unidade de internet foi alvo de apedrejamento, com moradores relatando tentativas de obrigar os consumidores a contratar exclusivamente a prestadora controlada pelos criminosos.

Em Paracambi, imagens de câmeras de segurança mostram um homem incendiando um veículo de uma provedora de internet. Segundo o proprietário, o ataque estaria relacionado a uma cobrança de taxas ilegais por traficantes locais. Em outra ocasião, veículos de uma empresa de manutenção também tiveram os carros queimados, após recusarem pagamento de valores ilícitos. Semelhantes atos de violência aconteceram em Japeri, onde também uma propriedade foi atingida por fogo.

Segundo os responsáveis pelas empresas atacadas, as ordens para esses atos criminosos partiriam de um indivíduo conhecido como Russo. Mensagens ameaçadoras enviadas aos empresários indicam uma retaliação contra quem recusar-se a pagar pelas operações na região.

Moradores e funcionários também são afetados emocionalmente pelo clima de medo instaurado, já que ataques como sabotagens, furtos de equipamentos e ameaças direcionadas às equipes continuam ocorrendo. Empresários chegaram a divulgar notas de repúdio e suspensão de serviços na tentativa de proteger suas equipes e seus negócios. O impacto estende-se à população, que enfrenta a perda de acesso à internet e ao convívio diário, prejudicando atividades de trabalho, estudo e comunicação.

As investigações recentes indicam o crescimento de um monopólio ilegal na área. Em março de 2026, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal deflagraram a Operação Desconexão, que cumpriu mandados de prisão e buscas em diversos municípios da região. A operação visou uma organização criminosa suspeita de controlar a oferta de internet na região por meio de ações violentas, ameaças e sabotagem, buscando estabelecer um domínio territorial ilícito. Em etapas anteriores, no início de 2025, a Polícia Civil realizou a Operação Rede Obscura, que investigou a atuação de facções criminosas na exploração clandestina de serviços de internet na Zona Norte e na Baixada Fluminense.

O crescimento dessa atuação ilícita transforma o serviço de internet em uma ferramenta de controle territorial, dificultando a atuação de provedores confiáveis e deixando a população cada vez mais vulnerável. As ações criminosas, além de prejudicarem a competitividade do setor, comprometem o acesso de comunidades inteiras à conectividade, com possíveis impactos duradouros na economia local e na liberdade de comunicação.


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