junho 13, 2026
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13/06/2026

Crise na Bolívia: protestos, bloqueios e prisões sob apoio dos EUA ameaçam estabilidade

Na sexta-feira (5), a Bolívia atingiu o 36º dia de protestos em meio a mais de 80 bloqueios de rodovias em diferentes regiões do país. As manifestações continuam a refletir uma crise política que resultou na prisão de várias lideranças sociais e políticas, em um contexto de apoio internacional ao governo de Rodrigo Paz.

Desde o início do movimento, representantes de organizações sociais têm classificado as ações de detenção como “sequestros”, enquanto as autoridades alegam que os presos respondem por acusações de “terrorismo” e “incitamento à violência pública”. Entre os detidos estão a ex-senadora Simone Quispe, do partido MAS, além de Justino Apaza, secretário executivo da Federação de Conselhos de Bairros de La Paz, e Yesenia Varga, dirigente da Federação Carrasco, de Cochabamba. Também havia mandados de prisão expedidos contra outras lideranças, como Vicente Salazar, ligado aos Los Ponchos Rojos, e Mario Argollo, presidente da Central Operária da Bolívia (COB). No entanto, esses pedidos foram posteriormente revogados pelo Poder Judiciário boliviano.

Os protestos, que há cerca de cinco semanas incluem camponeses, indígenas, professores e trabalhadores, tiveram início em resposta a insatisfações com a qualidade do combustível fornecido pelo governo e à promulgação de uma nova legislação fundiária. A crítica central à lei refere-se ao impacto sobre pequenos proprietários, alegando favorecer o setor do agronegócio. As manifestações têm provocado bloqueios nas principais rodovias do país, gerando desabastecimento de alimentos, combustíveis e medicamentos em várias regiões, especialmente em torno de La Paz, Cochabamba, Potosí, Oruro, Santa Cruz e Chuquisaca.

Apesar do endurecimento das ações, a estabilidade do cenário político permanece instável. Analistas indicam que a população está exausta da crise, enquanto os grupos de protesto reforçam o compromisso de continuar até que o presidente renuncie. A possibilidade de adoção de um estado de exceção também preocupa líderes políticos, pois aumentaria potencialmente a repressão às manifestações.

Na última semana, a prisão de Simone Quispe, ocorrida de forma contestada por seus familiares, manteve-se sob questionamento pela sociedade civil. Segundo a Central Operária da Bolívia, há uma resistência contra a repetição de práticas de perseguição contra lideranças sociais no país.

Internacionalmente, o apoio ao governo de Paz também tem sido notório. O secretário de Defesa dos Estados Unidos expressou, em rede social, a preocupação de que a Bolívia possa recorrer a antigos moldes de domínio narcotraficante. As declarações sugerem respaldo às ações governamentais, embora o governo norte-americano tenha direcionado o discurso a questões de narcotráfico e segurança regional. Especialistas avaliam que essa postura pode reforçar o apoio das Forças Armadas às ações de repressão, embora novas intervenções diretas dos EUA ainda sejam consideradas improváveis.

No âmbito interno, uma sequência de renúncias ocorreu recentemente no Executivo boliviano. Os ministros da Defesa e da Educação deixaram as suas posições devido à pressão decorrente dos bloqueios, somando-se à saída do Ministro do Trabalho em maio. Em seu lugar, o governo nomeou um representante com histórico de atuação no combate ao narcotráfico e com ligação às forças de segurança dos EUA.

Por fim, o Legislativo do país revogou a legislação que restringia a possibilidade de declarar estado de exceção, enquanto analisa um novo projeto enviado pelo Executivo. O projeto encontra-se em fase de discussão na Câmara de Deputados, suscetível a desdobramentos que poderão influenciar na condução do conflito político e social vigente.


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