abril 10, 2026
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10/04/2026

CSN completa 85 anos em crise: necessidade de investimento bilionário para modernizar usina de Volta Redonda

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) comemora 85 anos de operação na sua antiga planta de Volta Redonda, situada no Sul Fluminense, em meio a desafios significativos. Fundada em 1941, durante o governo de Getúlio Vargas, a empresa é um símbolo da história industrial brasileira. Atualmente, a companhia enfrenta dificuldades de competitividade no setor siderúrgico e avalia a necessidade de investimentos bilionários para renovar suas instalações.

Segundo levantamento interno e de especialistas do mercado, o montante necessário para a modernização da unidade de Volta Redonda ultrapassa US$ 1 bilhão, aproximadamente R$ 5,2 bilhões. Este valor permitiria melhorias na eficiência da operação, mas apresenta um dilema estratégico: investir consideravelmente na unidade ou buscar alternativas como venda de ativos ou parcerias que possam aliviar o endividamento da empresa.

Historicamente, a unidade de Volta Redonda foi o principal sustentáculo econômico da região, contribuindo para a geração de empregos e o desenvolvimento local. Entretanto, com o crescimento do segmento de mineração, a participação da siderurgia na receita da companhia diminuiu. Dados recentes revelam essa mudança de perfil financeiro: no terceiro trimestre de 2025, a margem de EBITDA da siderurgia ficou em 8,1%, enquanto a mineração atingiu 43,9%, evidenciando a maior rentabilidade do setor de mineração.

Recentemente, a CSN anunciou recurso de R$ 1,13 bilhão obtido junto ao BNDES, com foco em projetos voltados ao meio ambiente e à redução de emissões. Contudo, esses recursos não contemplam diretamente a atualização tecnológica da usina siderúrgica, mantendo a necessidade de novos investimentos para esse fim.

Diante desse quadro, a companhia analisa alternativas estratégicas que podem incluir a venda de ativos para diminuir sua alta alavancagem financeira, estimada em até R$ 18 bilhões. As decisões sobre o futuro da unidade industrial envolvem, além dos aspectos econômicos, considerações sobre o papel histórico e o impacto regional da operação.

A competitividade da área siderúrgica é ainda mais pressionada pelo aumento das importações de aço, especialmente provenientes da China, e pelo envelhecimento dos equipamentos industriais. Sem a realização de modernizações, especialistas alertam que a empresa pode sofrer queda adicional na participação no mercado global de aço.


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