fevereiro 13, 2026
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13/02/2026

Da criminalidade ao impacto social: a transformação de Fabinho do São João

Ex-chefe do tráfico abandona crime e se torna coordenador de projeto social pioneiro; “quero mostrar que tem solução”

Durante muitos anos, o nome de Fábio Pinto dos Santos, mais conhecido como Fabinho do São João, estampou as páginas policiais dos jornais. Hoje, no entanto, sua história ganha outro destaque: o trabalho social que ele desenvolve em comunidades do Rio de Janeiro e de outros estados.

Depois de ocupar posição de liderança em uma das maiores facções criminosas do país e cumprir 25 anos de prisão, Fabinho decidiu trilhar um novo caminho. Atualmente, é um dos coordenadores do Favela Llog, projeto da Central Única das Favelas (Cufa) que leva entregas de e-commerce a regiões onde transportadoras tradicionais não chegam.

O diferencial da iniciativa está no Projeto Recomeço, que oferece oportunidades de trabalho a ex-detentos e pessoas que abandonaram a vida no crime, contratando-os como entregadores.

O início de uma nova vida

“Queria criar algo que reunisse pessoas que, assim como eu, decidiram mudar. Foi aí que surgiu a ideia de colocar egressos do sistema prisional para fazer entregas justamente nas comunidades que antes eram vistas como inacessíveis”, relata Fabinho.

Desde 2023, o Favela Llog mantém um centro de logística em São Gonçalo, no bairro Zumbi, de onde partem as equipes que atendem comunidades locais e também de Niterói. O projeto faz parte do grupo Favela Holding, braço social da Cufa.

Fabinho reconhece que o apoio da organização foi essencial para que não recaísse no crime:
“Entrar é fácil, mas sair é extremamente difícil. Se não fosse a Cufa, talvez eu tivesse desistido da ideia de mudar.”

Do tráfico à consciência social

O envolvimento de Fabinho com o tráfico começou aos 17 anos, motivado por conflitos familiares e pela ilusão de estar enfrentando o sistema. Com o tempo, ganhou notoriedade ao chefiar o tráfico no Morro do São João, na Zona Norte do Rio, até se tornar um dos criminosos mais procurados do estado.

Preso diversas vezes — inclusive chegando a fugir de uma cadeia após um assalto a carro-forte — Fabinho acabou transferido para a Penitenciária Federal de Mossoró (RN), onde afirma ter vivido os momentos mais difíceis da vida.
“Ali percebi que não tinha direitos, só humilhações. Muitos não resistiram. Foi nesse ponto que comecei a refletir seriamente sobre minhas escolhas.”

Apesar das dificuldades impostas pelo sistema, conseguiu estudar, realizar o Enem para Pessoas Privadas de Liberdade (PPL) e, após anos de resistência, teve parte da pena reduzida. Em liberdade, aproximou-se da Cufa e iniciou sua reconstrução.

Rotina atual e legado

Hoje, Fabinho administra mais de 100 colaboradores no Favela Llog, apresenta o podcast 01 Sobreviventes e percorre o estado para acompanhar projetos sociais.

Mesmo com uma rotina intensa, garante estar vivendo o melhor momento da vida e deseja inspirar outros jovens a não seguirem pelo mesmo caminho que ele percorreu.
“O crime só leva a dois destinos: cadeia ou morte. Eu sobrevivi, e agora quero provar que existe uma alternativa. Sempre há um outro caminho.”

Foto: Divulgação / Internet

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