Dupla de parlamentares solicita investigação após denúncias de ameaças de ataques a universidades públicas no estado do Rio
Na quinta-feira, representantes do poder legislativo solicitaram formalmente apuração de denúncias relacionadas a possíveis ações violentas contra instituições de ensino superior no Rio de Janeiro. As parlamentares Maíra, vereadora pelo MST, e Marina, deputada estadual pelo mesmo movimento, encaminharam ofícios às autoridades policiais e ao Ministério Público Federal, cobrando investigação sobre ameaças e registros de atos de violência.
De acordo com os documentos, as denúncias incluem prints de grupos de aplicativos de mensagem nos quais integrantes agrupados em perfis apoiadores do ex-candidato Flávio Bolsonaro discutem planos de agressões às universidades federais UFF, em Niterói, e UENF, em Campos dos Goytacazes. As conversas indicam intenções de incitar incêndios e de realizar ataques físicos às instituições, com referências explícitas a atos de violência.
Em uma das mensagens, um membro identificado como Nikolas Mattos revela ter conversado com “o Flávio” e menciona planos de incendiar a UFF. Não há confirmação se o nome mencionado refere-se ao próprio deputado ou ao candidato à presidência. Em sequência, outros participantes demonstram interesse em participar de ações violentas, inclusive manifestando intenção de ingressar nomes em listas para ações criminosas, numa tentativa de recrutar mais envolvidos.
Outro grupo examinado pelos parlamentares mostra discussões sobre programas de agressão física, incluindo a utilização de armas e dispositivos explosivos contra militantes de esquerda e estudantes. Uma sugestão de um participante identificada como Alexandre Tavares considera inclusive a possibilidade de invasões usando veículos de grande porte na tentativa de provocar danos aos adversários políticos.
As deputadas afirmam que tais ameaças representam uma ação coordenada de grupos extremistas de direita que buscam intimidar a comunidade acadêmica e minar a liberdade de expressão. Elas destacam que ataques à educação pública podem impactar negativamente o financiamento de pesquisas, bolsas de estudo e demais oportunidades acadêmicas no Brasil. Segundo as parlamentares, a gravidade das ameaças exige uma resposta rápida e efetiva das autoridades responsáveis.
No documento, há pedidos específicos para que sejam identificados os autores dessas ações e para que medidas sejam tomadas junto às plataformas digitais, incluindo a Meta, responsável pelo WhatsApp, de modo a conter a disseminação de ameaças. Além disso, solicitam reforço policial no entorno dessas universidades para garantir a segurança de estudantes e professores.
As parlamentares também destacam que essas ameaças parecem estar inseridas em uma estratégia maior de grupos de extrema direita, que tentam criar um clima de medo para influenciar os resultados eleitorais. Em paralelo às denúncias envolvendo as universidades, registros de ameaças e atos de violência têm sido reportados em outros setores acadêmicos do país, reforçando a preocupação com o cenário de polarização e violência política.
Na semana anterior, um incêndio de grande proporção destruiu parte de um setor de pesquisa da UFPE, no Recife, causando um prejuízo estimado em R$100 milhões e a perda de 20 anos de amostras. Antes do incêndio, relatos indicam ameaças de explosões e ataques à universidade, com menções ao nome do ex-candidato Flávio Bolsonaro.
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