A discussão sobre redes de apoio e organização familiar para o cuidado de idosos ainda é pouco debatida, embora seja uma questão cada vez mais urgente. Com o aumento da longevidade, cresce a necessidade de estruturar sistemas que ofereçam suporte adequado aos cuidadores, muitas vezes familiares, que dedicam grande parte do tempo ao bem-estar de parentes idosos.
No cotidiano de pessoas como Maria Alice, aposentada de 67 anos moradora da Zona Norte do Rio, a rotina é marcada por cuidar da mãe, de 91 anos. Similarmente, Joana, de 71 anos, acorda cedo para cuidar do marido, que enfrenta uma doença neurodegenerativa. Ambas reconhecem a importância de contar com ajuda ou compartilhamento de tarefas, mas lidam com o cansaço e a ausência de redes de apoio mais estruturadas.
Esse cenário reflete uma questão social que deve ganhar maior atenção à medida que a população envelhece. Segundo projeções do IBGE, até 2070, mais de 37% dos brasileiros terão 60 anos ou mais, em comparação com 15,6% atuais. Essa tendência reforça a necessidade de adequar as políticas públicas e os arranjos familiares para enfrentar os desafios da longevidade com menos estresse e desgaste emocional.
No estado do Rio de Janeiro, estima-se que entre 600 mil e 700 mil cuidadores familiares atuem na assistência a idosos. A maioria é composta por mulheres que, muitas vezes, desempenham essa tarefa sem remuneração ou reconhecimento formal. A prioridade é ampliar o debate sobre o fortalecimento de vínculos afetivos e estruturas de cuidado ao longo de toda a vida adulta.
Reduzir a solidão e o esforço excessivo implica promover uma cultura de diálogo aberto sobre limites, desejos e expectativas. Assim, a tarefa de cuidar do outro torna-se mais colaborativa e menos exaustiva. Afinal, a fase de envelhecer não começa apenas na terceira idade, mas é um processo que se inicia antes, na construção consciente de relações de afeto e suporte que irão sustentar a vida durante o envelhecimento.
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