No Parque Estadual da Pedra Branca, no Rio de Janeiro, foi localizado um dos maiores exemplares de pau-brasil já registrados na região. A descoberta ocorreu no início de maio durante uma operação de monitoramento executada por equipe da Trilha Transcarioca, uma iniciativa que utiliza recursos tecnológicos para mapear a vegetação no corredor florestal.
A árvore, da espécie Paubrasilia echinata, apresenta dimensões notáveis: mede 16 metros de altura, equivalente a um edifício de cinco andares, e possui circunferência de 2,35 metros. Para dar a volta ao tronco, três adultos de mãos dadas seriam necessários. A identificação foi realizada pelo pesquisador Diego Monsores, responsável pelo monitoramento voluntário na trilha.
A localização do exemplar foi possível graças ao uso de drones no mapeamento aéreo de toda a extensão da trilha, que possui mais de 184 quilômetros. A iniciativa faz parte do projeto Pró Espécies, uma parceria com o Inea voltada para o mapeamento de espécies ameaçadas na área, contribuindo para ações de conservação e proteção da biodiversidade local.
Segundo Monsores, as tecnologias avançadas têm ampliado a capacidade de detectar e preservar espécies raras, permitindo ações mais efetivas de conservação e recuperação. Ele destaca que o projeto inclui estratégias como a coleta de sementes para produção de mudas, fortalecendo a preservação genética e planos de restauração ecológica futura.
Estima-se que a árvore tenha mais de 200 anos. Além dela, uma população de cerca de 50 indivíduos de pau-brasil-folha-arruda-RJ foi encontrada na mesma região. Essa linhagem é considerada rara e exclusiva do estado, motivo pelo qual a descoberta reforça a importância do monitoramento e da preservação dessas espécies.
Pesquisas genéticas recentes ampliaram o entendimento sobre a diversidade do pau-brasil, anteriormente dividido em três variedades tradicionais. Novos estudos identificaram cinco linhagens distintas ao longo do litoral brasileiro, incluindo a linhagem arruda-RJ, cuja existência em áreas urbanas foi confirmada por uma pesquisa conduzida por pesquisadores da Uerj.
De acordo com a bióloga Patrícia da Rosa, a descoberta tem grande significado para a conservação na Mata Atlântica do Rio de Janeiro. Ela destaca que a presença de remanescentes da população nativa na região urbana demonstra a importância de ações de proteção e recuperação dessas espécies ameaçadas.
O Parque Estadual da Pedra Branca, um dos maiores espaços de floresta urbana do mundo, abrange áreas de 17 bairros das zonas Oeste e Sudoeste do Rio de Janeiro. Sua preservação é fundamental para a manutenção da biodiversidade da Mata Atlântica na capital fluminense.
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