Na quarta-feira (21), novas informações surgiram acerca do caso de deportação do ex-deputado federal Alexandre Ramagem. Segundo o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS), Ramagem é atualmente considerado um imigrante ilegal, mesmo tendo solicitado acolhimento por razões políticas. A notícia foi inicialmente divulgada pelo portal UOL.
A declaração do DHS contradiz a posição do Departamento de Estado, que, em abril, afirmou que o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) foi preso pelo ICE (Immigration and Customs Enforcement) sob alegações de manipulação do sistema imigratório brasileiro. Na ocasião, o órgão norte-americano afirmou que a Polícia Federal teria organizado uma ação que facilitou a prisão de Ramagem.
De acordo com o DHS, o pedido de exílio político apresentado por Ramagem não impede novas ações de detenção ou deportação. Em 13 de abril, o ex-diretor da ABIN foi detido em Orlando, após entrar legalmente nos Estados Unidos em setembro de 2025 com permissão temporária de seis meses, posteriormente expirando o prazo sem renovação. O departamento destacou que ele permaneceu no país de forma irregular após o vencimento do visto, tendo sido libertado dois dias após a prisão enquanto aguarda os procedimentos de deportação.
Ramagem deixou a custódia do ICE sem pagar fiança, apoiado por uma consultoria especializada na área de imigração. Sua detenção teve duração de dois dias, até sua libertação em meio ao processo de análise de sua situação migratória.
Ex-deputado e ex-diretor da ABIN, Ramagem integrou a equipe do governo Bolsonaro entre 2019 e 2022. Posteriormente, foi eleito deputado federal pelo PL do Rio de Janeiro. Em setembro de 2025, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento na chamada ‘Trama Golpista’, recebendo uma pena de mais de 16 anos de prisão em regime fechado. Após a condenação, deixou o Brasil de forma ilegal e buscou refúgio nos Estados Unidos.
A denúncia contra Ramagem faz parte de investigação que revelou uma tentativa de impeachment e ações de desestabilização comandadas por líderes do governo Bolsonaro, incluindo a tentativa de desacreditar o Poder Judiciário e de planejar assassinatos de autoridades, como o Presidente Lula e o Ministro Alexandre de Moraes. Além do ex-presidente, outros envolvidos na trama também foram condenados, e Bolsonaro atualmente cumpre prisão domiciliar por motivos de saúde, enquanto o processo ainda tramita.
A situação de Ramagem permanece indefinida, com as autoridades americanas indicando que a possibilidade de uma nova detenção ou deportação ainda existe.
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