março 12, 2026
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12/03/2026

Disputa eleitoral no Rio mobiliza agenda política e ações no setor de segurança

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, enviou um representante a uma cerimônia oficial de segurança pública nesta quinta-feira (12), diante do cenário de crescente tensão política e movimentações eleitorais nos bastidores. Sem a presença do próprio governador, quem compareceu foi o secretário de Cidades, Douglas Ruas, que também é pré-candidato do Partido Liberal (PL) ao Palácio Guanabara. A cerimônia, realizada na Cidade da Polícia, na Zona Norte do Rio, contou com a entrega de novas viaturas e o lançamento de um serviço digital na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam).

A ausência de Castro, inicialmente prevista, aliada à indicação de Ruas para representá-lo em uma data simbólica, sinaliza a intensificação das articulações políticas no estado, já bastante evidentes mesmo com sete meses de antecedência das eleições de 2024.

Durante o evento, Ruas destacou sua trajetória na Polícia Civil e reforçou sua ligação com a área de segurança pública. Segundo ele, a participação na cerimônia representou um retorno às suas origens profissionais, embora ressaltasse o envolvimento atual com funções executivas.

A presença de Ruas ocorre em um momento de maior movimentação dentro do PL, no qual ele tem sido considerado um dos nomes preferidos para disputar o governo estadual, caso Castro opte por uma candidatura ao Senado, abrindo espaço para uma eleição indireta de mandato-tampão. A legislação sancionada por Castro no mesmo dia reforça esse cenário, ao estabelecer as regras para eventual eleição indireta no caso de vacância do cargo de governador.

Segundo a nova lei, a escolha do substituto será feita pelos deputados estaduais por votação aberta e nominal, em sessão extraordinária. Além disso, foram facilitadas as desincompatibilizações, que agora podem ocorrer com apenas 24 horas de antecedência, diferente do período de seis meses exigido em eleições diretas. O regimento também estipula que, em caso de afastamento, o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto, assumirá interinamente a administração do estado por até 30 dias, com consequente convocação de eleição indireta.

Castro tem até o dia 4 de abril para decidir sobre sua candidatura ao Senado, momento em que a Assembleia Legislativa deverá definir a nova composição do executivo estadual, caso ele renuncie.

No cenário político, o clima se aquece com uma escalada de conflitos entre o governador e o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD). Recentemente, Paes criticou duramente o governo estadual, qualificando integrantes do grupo como “valentões” e “tchuchucas do Comando Vermelho”. Em resposta, a Polícia Civil efetuou a prisão de Salvino Oliveira, vereador aliado de Paes, sob suspeita de negociar apoio político com integrantes do tráfico.

Essa série de acontecimentos — incluindo ataques públicos, operações policiais e o movimentar de nomes no cenário eleitoral — tem sido interpretada por observadores políticos como sinais de que o processo eleitoral para as próximas eleições já está em curso, mesmo ainda distante do prazo oficial para o anúncio de candidaturas.


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