No Brasil, a doação de órgãos de pessoas falecidas só pode ocorrer mediante a autorização expressa dos familiares próximos, segundo a legislação vigente. Esse procedimento é coordenado pelo Sistema Nacional de Transplantes, que garante a transparência e a ética em todo o processo, do qual participam as equipes de saúde do SUS.
Embora o consentimento do doador em vida seja um fator relevante, a decisão final pertence aos cônjuges ou parentes até o segundo grau, conforme o Código Civil. Por isso, manter um diálogo aberto sobre o tema é fundamental para evitar conflitos durante momentos de perda ou luto, além de facilitar o encaminhamento de casos de doação.
Recentemente, foi criada uma plataforma digital chamada Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO). Desenvolvida pelo Conselho Nacional de Justiça, essa ferramenta permite ao cidadão registrar formalmente sua intenção de doar após a morte, por meio de um documento lavrado por um tabelião. O registro fica disponível para consulta imediata por parte das equipes de saúde, contribuindo para reduzir a resistência familiar ao demonstrar a vontade do falecido de forma oficial.
Quanto à idade para doação, não há limite máximo estabelecido por lei. A avaliação da viabilidade técnica dos órgãos ou tecidos é feita pelos médicos do Ministério da Saúde no momento do óbito, levando em conta critérios específicos de cada caso. Pessoas com doenças crônicas podem ainda contribuir, especialmente na doação de tecidos como córneas, que possuem critérios de seleção próprios.
Importante destacar que a conversa sobre doação deve ocorrer naturalmente durante reuniões familiares ou momentos de planejamento de vida. Comunicar claramente os motivos pessoais para a decisão e informar mais de um membro da família ajuda a garantir que a vontade seja respeitada. Registrar esse desejo em documentos formais, como diretivas antecipadas, reforça o compromisso e fornece segurança jurídica para a atuação do sistema de saúde.
Por fim, o registro em cartório reforça a autenticidade da declaração de vontade, dificultando questionamentos legais. Isso oferece uma base sólida para profissionais de saúde dialogarem com a família em momentos delicados e contribui para aumentar o número de doações, salvando mais vidas a cada ano. Manter a documentação atualizada constitui uma expressão de autonomia do indivíduo e de responsabilidade social.
Acompanhe o Rio Press para mais notícias em tempo real.



