abril 24, 2026
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24/04/2026

Dólar cai 12% em 12 meses; real se valoriza por fatores econômicos e políticos

Nos últimos doze meses, o dólar possui uma trajetória de depreciação de aproximadamente 12%, com uma queda de quase 9% ocorrida nos primeiros meses de 2026. Essa valorização do real, frente às principais moedas internacionais, está relacionada à desaceleração do dólar em âmbito global, evento atribuído às consequências da guerra comercial iniciada pelos Estados Unidos em 2025.

A desvalorização do dólar é apoiada por fatores internos ao Brasil, como o aumento da taxa básica de juros (Selic), a valorização das commodities e a redução do risco-país. Essas condições contribuíram para que a moeda nacional se valorizasse frente às divisas estrangeiras, beneficiando o mercado interno e os investidores estrangeiros. Atualmente, o real apresenta uma das maiores valorizações do ano, ficando atrás apenas da coroa norueguesa e do dólar australiano em termos de ganhos frente ao dólar americano.

A explicação para a perda de força do dólar globalmente está na percepção de que as ações do governo Trump, especialmente a adoção de tarifas comerciais, tiveram efeitos mais nocivos à economia dos Estados Unidos do que ao resto do mundo. Como consequência, os investidores passaram a buscar refúgio em outras moedas, como o euro e o franco suíço, reduzindo a demanda pela moeda americana. Além disso, o cenário favorece economias emergentes, como o Brasil, ao torná-las mais atrativas para o capital internacional.

O Brasil consolidou-se como um destino de investimento considerado seguro em um contexto de instabilidade global. Com o mercado estrangeiro percebendo a economia brasileira como uma alternativa estável diante das tensões geopolíticas e conflitos geoeconômicos, o país passou a atrair financiamentos produtivos e fluxos de capital financeiro. Dados recentes indicam que o real foi a moeda que mais valorizou frente ao dólar neste ano, sinalizando a confiança dos investidores na economia brasileira.

Entre os principais fatores que sustentam essa valorização, destacam-se a manutenção de juros elevados, a alta nas exportações de commodities como petróleo e produtos agropecuários, e o fortalecimento do diferencial de risco do Brasil em relação a outros mercados emergentes. O cenário macroeconômico acompanha uma expectativa de estabilidade na política monetária, com o Banco Central encerrando o ciclo de altas de juros, o que reforça o fluxo de recursos para a renda fixa.

Para o restante de 2026, embora haja avanços na valorização do real, fatores como as incertezas relacionadas às eleições presidenciais, conflitos internacionais e a evolução da inflação podem gerar maior volatilidade cambial. Analistas indicam que o banco central deve atuar com cautela nas próximas decisões de política monetária, buscando equilibrar crescimento econômico, controle inflacionário e estabilidade do câmbio.

No cotidiano, a redução do dólar favorece a contenção dos preços de produtos cotados em moeda estrangeira, podendo contribuir para a diminuição da inflação. Para consumidores que planejarem viagens aos Estados Unidos, a queda da moeda americana possibilita melhores condições de conversão de recursos, tornando o custo de deslocamentos e compras mais acessível.


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