Morreu nesta sexta-feira o Dr. Eurípides Ferreira, reconhecido como pioneiro na realização de transplantes de medula óssea no Brasil e na América Latina. Ele estava internado no hospital Nossa Senhora das Graças, onde atuou por 57 anos, e a instituição confirmou a sua morte.
Eurípides Ferreira foi uma figura central na história da medicina brasileira ao liderar, ao lado de Ricardo Pasquini, o primeiro procedimento de transplante de medula realizado na América Latina, em outubro de 1979. A cirurgia foi feita em Alírio Pfiffer, que recebeu doação de sangue de seu irmão. Em 1996, ocorreu o primeiro transplante entre indivíduos não relacionados, realizado após a criação do Registro Brasileiro de Dadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), com doação de uma desconhecida, Suely Walton, para uma criança de 11 anos.
Em entrevistas anteriores, Dr. Eurípides relatou sua motivação e experiência na área. Ainda em 1978, enfrentava a rotina de tratar pacientes com anemia aplástica, uma doença hematológica que tradicionalmente se agravava levando à morte. För, a partir de sua atuação no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, iniciou as primeiras tentativas de transplante de medula no país, culminando na realização do procedimento pioneiro em 1979.
Ao longo de sua carreira, o médico também atuou no Hospital Pequeno Príncipe, maior hospital pediátrico do país, onde começou suas atividades em 1966 com foco no tratamento de doenças hematológicas e tumores infantis. Uma experiência marcante ocorreu nesse período, ao tratar de uma criança com leucemia, episódio que reforçou seu compromisso de dedicar-se à luta contra doenças graves na infância.
Após sua partida, o Hospital Nossa Senhora das Graças emitiu uma nota de homenagem, destacando sua dedicação à oncologia e hematologia, assim como seu papel na consolidação do hospital como referência nacional e internacional. O comunicado evidencia a importância de sua trajetória, marcada por conhecimento, humanismo e cuidado atento aos pacientes, além de sua contribuição na história médica brasileira.
Atualmente, a comunidade médica e os familiares de Dr. Eurípides encontram conforto na lembrança de seu legado, que permanece vivo na história da medicina e na vida daqueles a quem ele ajudou.
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