O ex-prefeito do Rio de Janeiro e pré-candidato ao governo estadual, Eduardo Paes, comentou nesta quinta-feira, 18 de junho, uma operação que teve como alvo o deputado estadual Val Ceasa e o ex-vereador Ulisses Marins. A ação, conduzida pelo Ministério Público e pela Polícia Civil, investiga supostas interdições ilegais relacionadas a imóveis ligados a uma organização criminosa na região de Parada de Lucas, na zona norte da cidade.
Paes afirmou que a Prefeitura do Rio já havia alertado as autoridades sobre possíveis irregularidades ainda antes da operação. Para fundamentar suas declarações, ele compartilhou documentos oficiais, depoimentos e relatórios referentes à tentativa de demolir construções que seriam relacionadas ao chamado “Resort do Peixão”, dentro do Complexo de Israel. As investigações visam apurar uma possível interferência para impedir a demolição de imóveis sob suspeita de ligação com o criminoso Álvaro Malaquias Santa Rosa – conhecido como Peixão – líder do Terceiro Comando Puro (TCP).
Segundo o político, a origem da apuração está em uma denúncia apresentada pela Secretaria Municipal de Ordem Pública, parte da força-tarefa criada junto ao MP para combater construções ilegais em áreas sob influência de facções criminosas. Ele destacou ainda que, para chegar ao fundo do caso, foi necessária uma mudança de gestão governamental, que permitiu o desdobramento das investigações.
Nos registros públicos, Paes também divulgou um depoimento do então secretário de Ordem Pública, Brenno Carnevale, realizado em novembro de 2024, ao Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado. O documento relata reuniões anteriores às ações de demolição, que foram posteriormente suspensas, além de abordagens feitas pelo então vereador Ulisses Marins sobre a área conhecida como “Fazendinha”. Os relatórios técnicos indicavam construções irregulares na região, incluindo um resort e uma academia, mapeados por imagens aéreas e documentos oficiais.
O caso faz parte de uma investigação mais ampla conduzida pelo MP, que busca esclarecer possíveis favorecimentos e ações de agentes públicos a criminosos do TCP. Entre os pontos de apuração, há a tentativa de obter informações sigilosas sobre uma operação policial planejada para demolir imóveis pertencentes ao grupo criminoso. Por ora, não há informações sobre desdobramentos imediatos ou próximos passos do processo.
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