O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, começou a negociar apoio a um nome alinhado ao bolsonarismo na eleição indireta que determinará o governador interino do estado. A iniciativa ocorre em meio às mudanças políticas desencadeadas por decisão do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, que alterou regras para o processo de escolha.
Segundo interlocutores, o apoio de Paes está condicionado a um acordo político que impede o candidato de disputar a reeleição em outubro, garantindo que cumpra apenas o mandato-tampão até o fim do ano. Essa estratégia busca evitar que o nome apoiado utilize a máquina pública como plataforma eleitoral, facilitando uma possível candidatura do próprio Paes ao governo estadual. Há também a possibilidade de Machado ser futuramente nomeado para posições no secretariado estadual ou no Tribunal de Contas do Estado.
A articulação ganhou força após a liminar de Fux, que reforçou as restrições às candidaturas de nomes ligados ao Executivo sem o cumprimento dos prazos de desincompatibilização. Como consequência, candidaturas como as de André Ceciliano, Douglas Ruas e Nicola Miccione perderam viabilidade em curto prazo, abrindo espaço para alternativas internas da Assembleia Legislativa. Nesse cenário, o nome de Chico Machado, deputado estadual do Solidariedade, tem sido valorizado por sua ligação com diferentes grupos políticos.
No entanto, a aproximação com Machado pode gerar tensões dentro do espectro político liderado por Paes, que mantém diálogo com setores do governo Federal. Machado demonstra posicionamento público alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, apoiando-o em redes sociais e participando de manifestações da direita, além de defender pautas conservadoras. Essa postura pode contrastar com aliados do presidente Lula, refletindo uma estratégia de alianças mais abrangente adotada por Paes, que também mantém vínculos com grupos ligados ao senador Flávio Bolsonaro e tem uma candidata a vice, Jane Reis, irmã de um aliado de Bolsonaro, uma escolha que já gerou desconforto entre setores petistas.
Embora a candidatura de Chico Machado ainda dependa da consolidação de apoios na Assembleia Legislativa e das demais negociações após a decisão do STF, a movimentação revela o interesse de Eduardo Paes em ampliar suas alianças, inclusive com nomes de posições ideológicas distintas, com o objetivo de influenciar a sucessão estadual no curto prazo.
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