O ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), manifestou-se contra a decisão de realizar uma eleição indireta para a substituição do governador após a renúncia de Cláudio Castro. Em publicação nas redes sociais, Paes criticou a resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), defendendo que a população deveria ter o direito de votar na escolha do próximo chefe do Executivo estadual.
A postura de Paes contrasta com a adotada horas antes pela direção do seu partido, o PSD, que afirmou cumprir a decisão do TSE de realizar uma eleição indireta. O presidente estadual do partido, Pedro Paulo, destacou que a legenda trabalha para lançar candidaturas tanto para a presidência da Assembleia Legislativa do Rio quanto para o mandato-tampão, respeitando o entendimento da Justiça Eleitoral.
Eduardo Paes, no entanto, questionou a legitimidade de uma escolha feita pela Assembleia Legislativa, associando o cenário à crise decorrente da condenação de Castro e aliados do caso Ceperj. Segundo ele, a decisão do TSE, respaldada por diversos juristas, indicaria a realização de eleições diretas, levantando dúvidas sobre a imparcialidade de uma votação conduzida por uma assembleia influenciada por candidatos ligados ao grupo político responsável por sua condenação recente.
O ex-prefeito reafirmou seu desejo de disputar o governo estadual pelo voto popular, seja em eleições diretas ou na de outubro. Ele criticou a demora do Judiciário em abordar questões pertinentes ao cenário político do Rio e reforçou a importância de um processo democrático.
A condenação de Cláudio Castro pelo TSE, por abuso de poder político nas eleições de 2022, foi o pano de fundo para as manifestações de Paes. A ação afirma que houve uso indevido da estrutura da Fundação Ceperj e da Uerj na contratação de cabos eleitorais, com a distribuição de cargos e recursos públicos para ampliar apoios durante a campanha.
Além disso, Paes criticou a condução das discussões no Supremo Tribunal Federal (STF) acerca do prazo de desincompatibilização exigido por lei para candidatar-se em eleições indiretas. Originalmente, a norma proposta na Alerj previa afastamento de seis meses, mas posteriormente foi alterada para 24 horas. Para Paes, uma eventual decisão do STF que restabeleça o prazo de seis meses facilitaria a candidatura de nomes ligados ao grupo condenado.
Nos bastidores, o PSD chegou a sugerir que o governador em exercício, Ricardo Couto, consultasse o TSE antes de convocar a eleição indireta, alegando uma possível manobra para evitar uma eleição direta. Contudo, a direção do partido posteriormente adotou uma postura de convívio com a decisão judicial.
Pedro Paulo reforçou que o partido cumprirá a decisão judicial e que lançará candidaturas para os cargos previstos na eleição indireta. Ele afirmou que Eduardo Paes só participará de uma eleição direta, reiterando o compromisso de sua candidatura nas urnas.
A divergência interna no PSD evidencia diferenças entre a direção, que demonstra conivência com o modelo indireto, e Eduardo Paes, que busca reforçar a legitimidade do voto popular em um momento de incerteza na sucessão estadual. O cenário político do Rio de Janeiro permanece em movimento, com desdobramentos que poderão moldar o futuro do governo estadual.
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