A eleição para a presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro resultou na escolha de Douglas Ruas, representante do PL, em uma sessão marcada por controvérsia. O procedimento, realizado nesta quinta-feira, contou com a votação de 45 parlamentares e ocorreu em chapa única, conferindo ao novo presidente uma posição de destaque na condução dos rumos da Assembleia, além de integrá-lo à linha sucessória do governo estadual.
A votação ocorreu de forma rápida e sob forte resistência por parte de partidos de oposição, que alegaram irregularidades no processo. Parlamentares de bancadas como PSD, PDT, PT, PSOL, PSB, PCdoB e MDB se abstiveram de participar do plenário, promovendo um movimento para tentar esvaziar a sessão e questionar judicialmente a legitimidade do ato. Segundo esses grupos, a eleição não seguiu o rito interno da Casa, devido ao curto prazo de convocação, dificuldades na formação de uma chapa de sucedâneos e à ausência de recontagem oficial dos votos, marcada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio para 31 de março, que determinará quem herdará a cadeira de Rodrigo Bacellar.
Na sequência, representantes da oposição sinalizaram o agravamento do conflito. A deputada Marina do MST (PT) declarou que o procedimento representou uma violação institucional, reforçando a necessidade de união para defender a democracia no estado. O líder do PSOL, Flavio Serafini, afirmou que a eleição refletia uma tentativa da base governista de consolidar o controle sobre o Executivo, durante um momento de sucessão turbulenta, e destacou a resistência de seus aliados à continuidade desse processo, em defesa do funcionamento democrático da Casa.
Outros deputados, como Dani Balbi e Lilian Bhering, do PCdoB, também criticaram a condução da sessão, alegando falta de espaço para debates e para a manifestação de opiniões contrárias. Eles ressaltaram que a forma como o ato foi realizado prejudicou a legitimidade da eleição e prejudicou o debate democrático na Assembleia.
No âmbito judicial, a controvérsia já se manifestou. O Partido Social Democrático (PSD) protocolou um mandado de segurança para suspender a votação, alegando irregularidades regimentais e alegando que o procedimento foi iniciado antes da conclusão de etapas que poderiam alterar a composição do plenário. Apesar da contestação, o pleito foi confirmado, resultando na vitória de Douglas Ruas. Ainda assim, o governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, avalia a possibilidade de anular a sessão.
Atualmente, o foco do impasse está no âmbito político e jurídico. A eleição promoveu uma mudança na liderança da Assembleia, que passou a exercer papel relevante na crise sucessória do estado, dada a influência do cargo na transição de governo, diante da queda de Rodrigo Bacellar, da renúncia de Cláudio Castro e da administração provisória conduzida pelo desembargador Ricardo Couto. As próximas medidas dependerão do desfecho dessas ações judiciais e das negociações políticas enfrentadas pelo poder estadual.
Acompanhe o Ora Veja para mais notícias em tempo real.



