março 6, 2026
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06/03/2026

Escola de São Cristóvão anuncia enredo sobre Tia Ciata para o Carnaval 2027

A escola de samba de São Cristóvão foi a primeira do Grupo Especial a revelar oficialmente o tema do próximo desfile do Carnaval do Rio de Janeiro. A agremiação anunciou que seu enredo de 2027 será “Ciata: a mãe preta do samba”, em homenagem à história de Tia Ciata, figura central na formação da cultura afro-carioca e do samba. O desenvolvimento do desfile fica a cargo do carnavalesco Renato Lage, com pesquisa conduzida pelo professor Luiz Antônio Simas e apoio do compositor Cláudio Russo.

De acordo com o presidente da escola, Renato Thor, a escolha do tema reforça uma linha temática que vem sendo adotada pelas últimas edições, que valoriza a cultura negra e personalidades emblemáticas da história brasileira. Embora Tia Ciata já tenha sido lembrada em outros desfiles ao longo do tempo, sua trajetória ainda não havia sido tema principal de uma escola do Grupo Especial. Segundo Thor, a proposta de Renato Lage é transformar a história de Tia Ciata em uma homenagem digna de destaque na avenida, com foco na sua relevância.

A estreia oficial do enredo e da equipe envolvida na preparação do Carnaval 2027 está prevista para o próximo mês, durante evento realizado pela escola.

Tia Ciata, cujo nome de nascimento é Hilária Batista de Almeida, nasceu no Recôncavo Baiano, em Santo Amaro, e foi reconhecida como uma das principais matriarcas do samba. Ainda jovem, participou da fundação da Irmandade da Boa Morte, uma confraria religiosa de mulheres negras em Cachoeira, ligada às tradições do Recôncavo. Sua trajetória religiosa teve início no candomblé, na casa de Bambochê, na nação Ketu, onde era considerada filha de Oxum, mantendo uma forte atuação social e religiosa ao longo de toda a vida.

Aos 22 anos, Tia Ciata mudou-se para o Rio de Janeiro acompanhada de uma filha, formando nova família ao se casar com João Baptista da Silva, com quem teve 14 filhos. Instalou-se na região que viria a ser conhecida como Pequena África, no entorno do porto, território de forte presença de comunidades negras, terreiros e rodas de música. Foi nesse ambiente que se destacou como líder religiosa e cultural, atuando na casa de João Alabá como Mãe-Pequena. Sua residência virou ponto de encontro de músicos, compositores e figuras importantes para o surgimento do samba urbano, contribuindo para consolidar o gênero como uma das principais expressões culturais do Rio de Janeiro.


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