outubro 12, 2026
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12/10/2026

Escritório Candido de Oliveira completa 135 anos ligado à história do Rio de Janeiro

Ao caminhar pelas ruas estreitas do Centro do Rio de Janeiro, é difícil imaginar a quantidade de histórias e personagens que deixaram suas marcas nos edifícios históricos da região. Entre a Rua do Rosário, a Rua da Quitanda e a Rua Primeiro de Março, encontram-se construções que testemunharam séculos de transformação urbana, política e social. Nesse cenário, destaca-se a fundação, em 1891, do Escritório Candido de Oliveira, uma das mais antigas casas de advocacia do Brasil. Completando 135 anos em 2026, a firma possui uma trajetória que atravessa desde o fim do período imperial até os dias atuais, sempre ligada às mudanças do Rio de Janeiro.

A história do escritório está intrinsecamente ligada às transformações políticas, econômicas e sociais da cidade. Originado na última década do Império, o seu fundador, Candido Luiz Maria de Oliveira, viveu em Ouro Preto e formou-se em Direito na Faculdade do Largo de São Francisco. Sua carreira começou na política e na magistratura, chegando a assumir posições relevantes, como senador vitalício e ministro da Guerra. Em 1888, participou ativamente do processo de abolição da escravidão, levando o texto da Lei Áurea ao Palácio da Cidade para sanção pela Princesa Isabel.

Com a Proclamação da República e o fim do Império, Candido de Oliveira foi exilado pelo novo regime. Sua residência na Rua da Paz foi palco de um episódio simbólico de ruptura: soldados, durante o golpe republicano, furaram o retrato de Dom Pedro II com uma espada. Em 1891, ele retornou ao Rio, adotando a advocacia como atividade principal, inicialmente na Rua Teófilo Ottoni, em continuidade à sua trajetória de serviço público e de envolvimento na política local e nacional. Ao longo dos anos, passou por diversos endereços no centro da cidade, acompanhando o crescimento do Rio, que deixava para trás o clássico cenário de sobrados comerciais e entrava na era dos edifícios modernos.

Além da advocacia, Candido de Oliveira também se destacou na academia, tendo sido um dos nomes que deram origem ao Centro Acadêmico Candido de Oliveira, em 1916. Seu filho, Candido de Oliveira Filho, inicialmente interessado pela Medicina, optou pelo Direito após uma experiência escolar, e veio a se tornar um destacado jurista, fundador da Faculdade Nacional de Direito e reitor da Universidade do Rio de Janeiro, na década de 1930. Sua produção intelectuál incluiu dezenas de livros e uma forte atuação no sistema acadêmico, contribuindo para o desenvolvimento da educação jurídica na cidade.

A própria trajetória da família evidencia a conexão estreita entre o universo jurídico, a imprensa e a questão social. O escritório também esteve ligado a eventos marcantes, como o confronto entre a família Rodrigues e as transformações políticas do Brasil. Fundador do jornal “Crítica”, Mário Rodrigues viveu uma série de tragédias, incluindo a morte de seu filho Roberto, após uma reportagem polêmica. Posteriormente, a destruição do jornal em 1930, durante a revolução liderada por Getúlio Vargas, levou os herdeiros a recorrerem à Justiça para garantir indenizações, em uma disputa que envolveu temas políticos e jurídicos de grande repercussão na época.

No âmbito público, integrantes da família also exerceram cargos de destaque. Candido de Oliveira Neto foi ministro da Justiça no governo de João Goulart, participando da elaboração de legislação importante, como o Estatuto da Mulher Casada de 1962. Durante o regime militar, manteve-se ativo na defesa das prerrogativas profissionais e na renovação da Ordem dos Advogados do Brasil, consolidando uma presença relevante no cenário jurídico e político nacional.

A geração seguinte foi marcada por Candido de Oliveira Bisneto, cuja atuação se deu nos tribunais do Rio de Janeiro. Sua vivência diária envolveu procedimentos tradicionais, como a tramitação de processos físicos, pelo sistema de datilografia e transporte de autos entre cartórios e audiências na antiga sede do Fórum, na região do Campo de Santana. Posteriormente, também se destacou na direção da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio, além de atuar na administração da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, uma das instituições mais antigas da cidade. Como mordomo do Contencioso, coordenava as complexas questões jurídicas relacionadas ao vasto patrimônio imobiliário e às atividades assistenciais da irmandade centenária, que há séculos atua na cidade.

Atualmente, o escritório permanece como um símbolo vivo da história carioca, representando a continuidade de uma tradição consolidada, que mistura advocacia, serviço público, ensino e ativismo social. Sua evolução reflete não apenas a trajetória de uma família, mas também a própria transformação do Rio de Janeiro ao longo de mais de um século.


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