Com a chegada das festividades juninas, aumenta a preocupação de proprietários e profissionais de saúde animal quanto ao impacto dos fogos de artifício sobre cães e gatos. Especialistas apontam que o barulho intenso causado pelos estampidos pode desencadear crises de ansiedade, comportamentos de fuga e até acidentes graves envolvendo os animais durante o período festivo.
A sensibilidade auditiva superior dos animais domésticos à dos seres humanos é uma das principais razões para o intenso sofrimento relacionado às queimas de fogos. Segundo o veterinário Carlos Henrique Alves, os ruídos extremos sobrecarregam o organismo dos pets, levando a reações como tremores, aumento dos batimentos cardíacos, diminuição do apetite e comportamentos desesperados. Vários animais tentam escapar ao perceivedem o barulho, o que frequentemente resulta em ferimentos ou até mortes, especialmente em casos de animais mais vulneráveis ou debilitados.
Dados de uma pesquisa realizada em 2023 reforçam a seriedade da questão, indicando que 84% dos tutores percebem medo ou alterações comportamentais em seus animais durante as queimas de fogos. Além disso, dois em cada três responsáveis relataram episódios de fuga dos pets associados ao barulho. Estudos de organizações de proteçãoanimal também destacam que a exposição ao som elevado pode desencadear sintomas físicos e emocionais como desorientação, agressividade e lesões decorrentes de tentativas de fuga.
A discussão inclui ainda aspectos legais. O advogado Ramon Camurugy observa que o tema ganhou maior atenção do ponto de vista jurídico devido ao avanço na legislação de proteção animal. Ele destaca que a Lei Federal 9.605/98, especialmente após as alterações pela Lei 14.064/2020, prevê punições para casos de maus-tratos, incluindo a exposição a situações de sofrimento previsível, como a utilização de fogos de barulho em festividades.
Com o objetivo de minimizar os riscos durante o período junino, especialistas recomendam que tutores adotem medidas preventivas, como manter os animais em ambientes internos seguros, fechar portas e janelas, reforçar a identificação dos pets e evitar deixá-los sozinhos nos horários de maior barulho. Essas ações visam reduzir o estresse dos animais e evitar desaparecimentos relacionados ao medo dos fogos.
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