O espetáculo inédito “Corpos em Expurgo”, criado pela Companhia Fragmentos do Baú, está em cartaz até 26 de julho no Espaço Rogério Cardoso, localizado no Centro Cultural Laura Alvim, em Ipanema, Rio de Janeiro. A produção é dirigida e dramaturgizada por Klever Schneider e consta de três cenas independentes que abordam as marcas do tempo no corpo, na memória e nas relações humanas, todas conectadas por uma questão central: “O que o tempo tem tirado de você?”.
Na apresentação, os atores Camilo Ricardo, Ducco Baggio, Henrique Lott e Tchella Queiroz conduzem o espectador a uma experiência sensorial e poética, explorando as impressões deixadas pelo envelhecimento, pela velocidade da vida moderna e pelas perdas silenciosas acumuladas ao longo do tempo. Cada uma das cenas apresenta personagens com histórias distintas, mas unidas pelo impacto do tempo em suas vidas.
A primeira cena, intitulada “Hiato”, retrata um homem que percebe a perda da capacidade de respirar e de apreciar as pequenas coisas por estar sobrecarregado pelas rotinas diárias. A segunda, “Biotério”, mostra um homem-rato que vive sob regras e estímulos que o transformam progressivamente, confundindo instinto e identidade, como uma cobaia de laboratório. Finalmente, uma mulher em uma infiltração vive uma experiência de lembranças de infância, as quais resistem a serem esquecidas, mesmo após tentativas de deixá-las para trás.
Durante a encenação, vozes de pessoas de diferentes idades respondem à pergunta que continua a moldar o espetáculo, reforçando a reflexão do público. Intervenções sonoras ao vivo, executadas por um ator-músico com teclado, criam um ambiente sonoro que influencia cada cena.
A produção visa, sobretudo, estimular a reflexão sobre temas universais: o tempo que parece faltar, as cobranças constantes, opressões invisíveis e as transformações que marcamos ao longo da vida. A narrativa convida o espectador a revisitar suas próprias experiências, identificando pontos de contato com os personagens retratados. Segundo Klever Schneider, o conceito do espetáculo está relacionado à ideia de expurgar e purificar, tornando visível aquilo que muitas vezes permanece oculto ou adormecido.
“Corpos em Expurgo” combina elementos estéticos que remetem a um universo pós-apocalíptico, misturando suspense e mistério, e propõe uma reflexão sobre as mudanças que o tempo provoca em cada indivíduo, bem como sobre os aspectos de resistência que permanecem. A proposta é uma experiência teatral que incentiva a pausa, a escuta e a reflexão interior, valorizando a beleza das rotinas mais simples.
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