abril 3, 2026
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03/04/2026

Estudo aponta elevado consumo de ultraprocessados infantis em comunidades de Recife, riscos à saúde e necessidade de políticas públicas

Uma pesquisa conduzida pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância revela que, em três comunidades brasileiras, cerca de 84% das famílias demonstram preocupação com uma alimentação saudável. No entanto, o estudo aponta um elevado consumo de alimentos ultraprocessados por crianças, presentes em aproximadamente metade dos lares durante o lanche tradicional e em um quarto das refeições matutinas. Entre os itens mais consumidos estão iogurtes aromatizados, embutidos, biscoitos recheados, refrigerantes e macarrão instantâneo.

Os ultraprocessados são produtos industriais que combinam ingredientes naturais com aditivos químicos como corantes, aromatizantes e conservantes. O consumo frequente desses alimentos por crianças está ligado a riscos de saúde, incluindo obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, depressão e câncer. Sua formulação com sabores marcantes e alta durabilidade favorece o consumo contínuo, reforçando a preferência por esses produtos.

O estudo também destaca uma divisão desigual na responsabilidade pela compra e preparo dos alimentos. A maioria das famílias apontou que as mães são responsáveis por adquirir (87%) e preparar (82%) as refeições, enquanto os pais têm participação significativamente menor nessas tarefas. Essa dinâmica leva à preferência por praticidade, tornando os ultraprocessados uma solução rápida diante de rotinas sobrecarregadas.

Outro ponto preocupante é o desconhecimento acerca do conceito de alimentos ultraprocessados. Muitos entrevistados consideram itens como iogurtes com sabor e nuggets feitos na airfryer como alimentos saudáveis. Além disso, 26% dos participantes não entendem as informações presentes na rotulagem frontal, enquanto 55% não observam os avisos, e 62% afirmam nunca ter deixado de adquirir algum produto por causa dessas indicações.

A pesquisa também evidencia que o custo influencia as escolhas alimentares. A maioria das famílias percebe produtos ultraprocessados como mais acessíveis, enquanto alimentos frescos, como verduras, frutas e carnes, são considerados caros — por exemplo, 68% consideram verduras caras, 76% frutas e 94% carnes. Entre fatores emocionais, muitos pais associam esses alimentos a lembranças de uma infância melhor, reforçando o consumo mesmo diante dos riscos à saúde.

Para enfrentar esses desafios, o estudo sugere ações públicas incluindo a regulamentação da publicidade de alimentos para crianças, incentivo à alimentação saudável em escolas, expansão de creches e ensino integral, além de reforçar orientações nutricionais nos serviços de saúde. A promoção de hortas comunitárias e a melhoria na comunicação sobre rotulagem também são apontadas como medidas fundamentais, especialmente considerando a confiança das famílias na alimentação escolar.


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