março 21, 2026
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21/03/2026

Estudo destaca impacto da comunicação comunitária na saúde e combate à desinformação em 2022

Um estudo publicado na Revista Brasileira de Ciências da Comunicação revela que, em 2022, 15 projetos de comunicação comunitária em saúde receberam apoio financeiro, selecionados de um total de 138 propostas apresentadas por organizações da sociedade civil. As iniciativas, que tiveram duração de oito meses, tiveram como objetivo promover ações que levassem em consideração as realidades locais e utilizassem tecnologias de comunicação para ampliar o alcance das mensagens de saúde.

Coordenação de pesquisadores renomados, a pesquisa ressalta que a comunicação comunitária vai além da simples transmissão de informações, caracterizando-se por um método participativo. Nesse modelo, os moradores locais atuam como protagonistas na produção e disseminação de conteúdos, fortalecendo a conexão entre os comunicadores e as comunidades atendidas.

As ações abordaram temas como vacinação, combate à desinformação, saúde mental, segurança alimentar e geração de renda. Todas as iniciativas priorizaram o uso de recursos tecnológicos e buscaram fortalecer redes locais, apoiando-se em fontes provenientes das próprias comunidades. Essa abordagem favorece uma comunicação mais igualitária, pautada no diálogo e na troca de conhecimentos, aumentando a confiança nas informações transmitidas e facilitando a adesão às orientações de saúde.

Durante o período pandêmico, houve um aumento na circulação de informações contraditórias, gerando insegurança e favorecendo a propagação de notícias falsas. Nesse contexto, a comunicação comunitária desempenhou papel essencial ao traduzir conteúdos técnicos para uma linguagem acessível, contribuindo para reduzir o impacto da desinformação e do pânico social.

Segundo os autores do estudo, a efetividade dessa abordagem está relacionada ao fato de que comunicar na língua e no modo de vida das comunidades aumenta a eficiência das mensagens. Comunicadores locais conseguem identificar dúvidas específicas e adaptar as conteúdos às culturas e contextos sociais de cada região.

As iniciativas também contaram com oficinas de capacitação, assessoria técnica e intercâmbio de experiências entre diferentes grupos. Esses esforços resultaram na formação de uma rede nacional de comunicação comunitária em saúde, fortalecendo laços entre instituições e comunidades, e criando uma base sólida para futuras ações em contextos de emergência sanitária.

O estudo destaca que a comunicação comunitária deve atuar como um complemento às estratégias tradicionais de saúde, reforçando a transmissão de informações por meios convencionais, como televisão, rádio e internet. Além disso, a presença de comunicadores populares tende a aumentar a confiança da população nas orientações oficiais, especialmente em comunidades vulneráveis.

Apesar dos avanços, a pesquisa aponta desafios, como a ausência de avaliações estruturadas em alguns projetos e dificuldades na replicação dessas ações. Entre as recomendações, estão a necessidade de financiamento contínuo, investimentos permanentes em capacitação, fortalecimento da autonomia dos grupos envolvidos e maior envolvimento das comunidades na avaliação dos resultados.

Os autores defendem que a valorização e integração da comunicação comunitária às políticas públicas de saúde são essenciais. A experiência pandêmica evidenciou que estratégias participativas e vinculadas às realidades locais são fundamentais para enfrentar crises de saúde pública de maneira mais eficiente, contribuindo para o fortalecimento da democracia, a redução de desigualdades sociais e a preparação do país para eventualidades futuras.


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