Pesquisa recente revela que o consumo regular de ovos pode estar ligado a um menor risco de desenvolver Alzheimer. Estudo divulgado em 2026 no The Journal of Nutrition, uma publicação associada à Sociedade Americana de Nutrição, acompanhou mais de 39 mil pessoas ao longo de cerca de 15 anos. Durante esse período, foram identificados cerca de 2.800 casos da doença, com dados indicando que quem consumia ovos cinco ou mais vezes por semana apresentava uma redução de 27% na probabilidade de diagnóstico, em comparação com indivíduos que raramente ou nunca os ingeriam.
A análise também demonstrou que refeições com ovos uma a três vezes por mês e uma vez por semana estavam associadas a uma diminuição de 17% no risco de Alzheimer. Consumir ovos de duas a quatro vezes por semana resultou em uma redução de 20%, sempre em comparação ao grupo que não os consumia. Os resultados mostram que o risco diminui progressivamente com maior frequência de ingestão.
Especialistas justificam que esse efeito pode estar relacionado à presença de colina, nutriente abundante na gema do ovo. Segundo o neurologista e professor Dr. Marcelo Magalhães, a colina é fundamental para a formação da acetilcolina, neurotransmissor que influencia processos como memória, atenção e aprendizagem. Além disso, participa na estrutura de membranas celulares e no metabolismo lipídico.
Outra observação do estudo sugeriu que a ausência de consumo de ovos aumenta em 22% a chance de desenvolver Alzheimer, em comparação com uma ingestão diária de cerca de 10 gramas. O médico destaca que, além dos fatores modificáveis, existem fatores de risco não controláveis, como a presença do gene APOE ε4, idade avançada, histórico de traumatismo cranioencefálico e antecedentes familiares.
Entre os fatores de risco que podem ser combatidos por mudanças no estilo de vida, estão hipertensão, obesidade, tabagismo, sedentarismo, diabetes, consumo excessivo de álcool, depressão, poluição e isolamento social, além de outros.
Segundo dados da Alzheimer’s Disease International, mais de 55 milhões de pessoas no mundo convivem atualmente com demência, projeções indicam crescimento até 78 milhões em 2030 e 139 milhões em 2050. A maioria dessas pessoas reside em países de baixa e média renda, quantidade que deverá aumentar nos próximos anos.
A especialista em geriatria Dra. Érica Abjaudi explica que a nutrição desempenha papel importante na prevenção ao reduzir processos inflamatórios e o estresse oxidativo associados ao envelhecimento. Ela reforça que a saúde intestinal e uma alimentação rica em fibras prebióticas favorecem a saúde cerebral, além de influenciar o humor e a cognição.
A profissional orienta que cuidados preventivos iniciem cedo, preferencialmente na vida adulta. Segundo ela, alterações cerebrais relacionadas à doença de Alzheimer podem começar 20 a 30 anos antes de surgirem os sintomas. Nesse período, é fundamental consolidar hábitos alinhados à saúde vascular e física, como controle da pressão arterial, glicemia e colesterol, além de manter a massa muscular.
Para os mais idosos, nunca é tarde para adotar medidas que favoreçam a neuroplasticidade e a autonomia. práticas como atividade física regular, estímulos cognitivos, sono de qualidade, além de atividades sociais, são indicadas para reduzir o risco de envelhecimento cerebral precoce.
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