Pesquisadores anunciaram a descoberta de um berçário importante no litoral do Rio de Janeiro, onde três espécies de tubarões ameaçadas de extinção utilizam uma área do complexo estuarino Ilha Grande-Sepetiba para reprodução e desenvolvimento de juvenis. A região, que cobre cerca de 60 quilômetros e uma área de 3,1 mil km², é considerada um habitat crucial para as espécies durante diferentes fases de gestação.
Estudos realizados pelo Instituto Proshark em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) identificaram a presença de fêmeas grávidas das espécies tubarão-rotador, tubarão-galha-preta e tubarão-mangona na área. Durante a pesquisa, seis desses exemplares capturados incidentalmente em atividades de pesca foram submetidos a análises, incluindo medições, avaliação do conteúdo vitelino e estágio de desenvolvimento embrionário. Além disso, a pesquisa empregou sistemas de telemetria satelital para monitorar os deslocamentos desses animais.
De acordo com a principal autora do estudo e presidente do Instituto Proshark, Fernanda Lana, a compreensão do uso da região durante toda a gestação demonstra sua importância ao longo do ciclo de vida dessas espécies. Ela reforça que o habitat fornece condições favoráveis, com manguezais, enseadas protegidas e costeiras rochosas que funcionam como refúgios e fontes de alimentação para os tubarões em fase de reprodução, além de proteger os filhotes.
A pesquisa também contribuiu para o reconhecimento da Enseada de Piraquara de Fora, em Angra dos Reis, como Área Importante para Tubarões e Raias, conforme a classificação da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Essa área inclui a Praia do Laboratório e ganhou destaque na conservação marinha. Pesquisas futuras pretendem aprofundar a compreensão do ciclo reprodutivo, usando drones e tecnologias de telemetria acústica e satelital para identificar rotas migratórias e praias de reprodução primária.
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