Pesquisas recentes realizadas nos Estados Unidos apontam que a água mineral engarrafada pode conter uma quantidade de partículas plásticas até 100 vezes maior do que se estimava anteriormente, superando até mesmo os níveis encontrados na água de torneira tratada. Essa constatação desafia a percepção de pureza associada à água engarrafada, destacando a presença significativa de nanoplásticos, partículas de tamanho microscópico capazes de ultrapassar barreiras naturais do organismo humano.
Os nanoplásticos, com dimensões entre 1 e 1.000 nanômetros, tornaram-se foco de atenção na comunidade científica devido à sua capacidade de atravessar tecidos e órgãos vitais. Estudos indicam que essas partículas podem alcançar os pulmões, o intestino, o sistema circulatório, além de órgãos como o coração e o cérebro, com evidências de acumulação cerebral reportadas já em 2025. Ainda há preocupação de que esses micro-volumes possam romper barreiras placentárias, atingindo fetos durante a gestação.
No âmbito da pesquisa, uma comparação entre amostras de seis marcas de água de garrafa e a água proveniente de quatro estações de tratamento revelou que as águas engarrafadas continham até três vezes mais nanoplásticos do que a água de rede tratada. A principal fonte de contaminação, conforme estudiosos, está na própria embalagem plástica.
Outra investigação, conduzida pela Universidade Columbia e publicada na revista PNAS, utilizou tecnologia de lasers de alta precisão para quantificar partículas em um litro de água engarrafada. Os resultados mostraram uma média de 240 mil fragmentos de plástico por litro, sendo que aproximadamente 90% desses partículas são nanoplásticos.
Apesar de a pesquisa ter sido realizada com marcas comercializadas nos Estados Unidos, especialistas indicam que o padrão de contaminação provavelmente é semelhante no Brasil, uma vez que as mesmas multinacionais atuam no mercado nacional. Considerando o funcionamento do saneamento no Brasil, a recomendação predominante é que a população prefira o consumo de água proveniente da rede pública devidamente tratada, ao invés de adquirir água engarrafada continuamente.
Diante do atual cenário, profissionais de saúde e meio ambiente sugerem que a melhor alternativa seja investir em sistemas domésticos de filtragem, como filtros de carvão ativado ou de barro. Essas opções são mais sustentáveis e contribuem para reduzir tanto a ingestão de nanoplásticos quanto a quantidade de resíduos plásticos no planeta.
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